Adote um mentor para seu filho


Isso pode ajudá-lo a ter mais liderança e autonomia.


Revista Época Negócios - por Paulo Eduardo Nogueira

Teoricamente, ter alguém que nos oriente desde a juventude para tomar as decisões certas e aprender mais sobre as coisas sempre soa positivo. Mas agora essa ideia se comprovou na prática, graças a uma pesquisa da North Carolina State University, que acompanhou o desenvolvimento de mais de 12 mil jovens durante seis anos seguidos, da adolescência até a idade adulta, utilizando dados do National Longitudinal Survey of Adolescent Health (programa custeado por dezenas de institutos oficiais americanos). Para evitar distorções causadas por diferenças socioeconômicas, a pesquisa dividiu os jovens em grupos com origens semelhantes, comparando os que tiveram e os que não tiveram mentores.

Resultado: quem teve algum tipo de mentor apresentou melhor desempenho e conquistou oportunidades de trabalho qualitativamente superiores (ainda que os níveis salariais fossem semelhantes entre os dois grupos). É o que os pesquisadores chamam de "gratificações intrínsecas" - caracteristicas como liderança e autonomia, que se revertem em carreiras promissoras. O estudo constatou também que a diferença socioeconômica interfere diretamente na garimpagem de um mentor: para jovens ricos, há oferta deles. Para os mais pobres, encontrar um "guia" exige uma boa dose de sorte.

Essa discriminação de oportunidades também se verificou entre mulheres e jovens de minorias, que apresentaram maior dificuldade em obter mentores. Não é um fenômeno desconhecido: um experimento da Wharton School com 6,5 mil professores das melhores universidades do país, por exemplo, mostrou que, nas requisições para cursos de doutorado, candidatos brancos do sexo masculino tinham melhor receptividade entre esses professores do que candidatas do sexo feminino, hispânicos ou orientais, embora as requisições fossem idênticas.

Para superar esse problema, surgem organizações de networking como a MentorNet, cujo objetivo é ajudar mulheres e minorias a encontrar mentores que os ajudem a entrar na área de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), ainda hoje um campo predominantemente masculino e branco - mulheres produzen menos de 1/3 de trabalhos acadêmicos em ciências,  e hispânicos e negros totalizam apenas 12% dos diplomas de engenharia, embora constituam 30% da população americana. Um dos trabalhos desses mentores é ajudar a evasão escolar prematura desses grupos, ajudando-os a entrar numa faculdade e chegar até o diploma.

 

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