Alimentos Inadequados


Jornal Folha de São Paulo - por Julio Abramczyk

Vem aumentando o nú­mero de jovens, adultos se­parados ou viúvos e idosos que moram sozinhos. Por es­tarem desacompanhados, a tradicional e sadia comida caseira brasileira. elaborada diariamente, vem sendo aos poucos substituída pela faci­lidade dos alimentos indus­trializados pré-preparados.

Os professores Carlos Au­gusto Monteiro, titular de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP, e Inês Rugani Ribeiro de Castro, do Instituto de Nutrição da UERJ, assinalam em artigo publicado na revista "Ciên­cia e Cultura" ser imprescin­dível a regulamentação da publicidade de alimentos, a exemplo do que já ocorre com bebida e tabaco.

Explicam que tem sido ob­servado um crescimento no consumo de alimentos pron­tos ou quase prontos no Bra­sil. São alimentos de baixo valor nutricional, contendo óleos, gorduras, farinhas, amido, açúcar e sal, acresci­dos de aditivos alimentares como conservantes (para o alimento durar mais tempo), estabilizantes (para manter a aparência do produto), fla­vorizante (que realça cheiro e sabor do alimento) e coran­tes, que têm por função tornar o alimento o mais parecido possível com o produto recém-preparado.

Esses alimentos tendem a apresentar excesso de gor­dura, açúcar e sal, como foi comprovado pelo Idec (Ins­tituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) na compo­sição de 30 alimentos indus­trializados, entre eles boli­nhos e salgadinhos, ampla­ mente consumidos pela população e particularmente por crianças e adolescentes.

Uma opção saudável de alimentação, segundo os nu­tricionistas, depende de po­líticas fiscais e de abasteci­mento que aumentem o acesso da população a ali­mentos frescos e de leis que diminuam a exposição das pessoas ao marketing de ali­mentos industrializados prontos para o consumo.

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