Anvisa veta o uso do nome “ração humana” em rótulo


Nome do produto induz a achar que o alimento supre necessidades nutricionais, diz Vilância Sanitária.

Jornal Folha de São Paulo - por Angela Pinho 

Na moda em dietas, as "ra­ções humanas", compostas cereais e fibras e encontra­das em mercados em todo o país, estão na mira da Anvi­sa (Agência Nacional de Vigi­lância Sanitária). A agência vai divulgar ho­je um alerta de que a substi­tuição de uma refeição por es­se produto traz riscosà saú­de, já que ele não tem todos nutrientes necessários pa­ra a alimentação saudável.

A nota também deve dizer que os produtos não podem usar o nome de "ração huma­na" nem colocar no rótulo propriedades medicinais, como redução do colesterol. Estão liberadas frases que informem que o composto faz bem para a saúde (por exem­plo, que melhora o funciona­mento do intestino). Mas, para isso, os fabrican­tes terão que pedir o registro do alimento na Anvisa e apre­sentar estudos que demons­trem essas características.

A iniciativa surgiu após questionamentos de órgãos de vigilância estaduais sobre esses produtos, afirma Ana Cláudia Araujo, especialista em alimentos da Anvisa. "O nome "ração humana" pode induzir o consumidor a engano e não diz claramente o que é aquele alimento." Segundo ela, alimentos vendidos com essa nomenclatura já estão em desacor­do com a legislação sanitária. As empresas responsáveis devem ser notificadas e rece­berão um prazo para cumprir a medida. Caso isso não ocor­ra, estão sujeitas a multa de até R$ 1,5 milhão.

• Saciedade

Segundo a nutricionista Cristiane Coronel, o cresci­mento do mercado de ração humana se deve principal­mente ao fato de o produto, por ter muitas fibras, aumen­tar a sensação de saciedade. Pioneira nesse mercado, a empresa Takinutri afirma ter o produto disponível em 1300 pontos de venda. Lica Takagui Dias, uma das sócias, diz que o objetivo do produto não é substituir re­feições, mas melhorar o fun­cionamento do intestino.

A nutricionista Daniela Jobst, do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional, diz indi­car aos seus pacientes produ­tos do tipo para casos em que há carência de fibras - nun­ca, no entanto, para substi­tuir uma refeição. Se isso for feito, alerta, fal­tarão nutrientes, principal­mente proteínas, que não es­tão em grande quantidade nos compostos.

Já Valéria Paschoal, da VP Consultoria Nutricional, vê com preocupação o cresci­mento do mercado de ração humana. "Ela estabelece um padrão diário de alimenta­ção, mas a regra básica da nu­trição é a variedade dos ali­mentos" , afirma. Segundo ela, o consumo exagerado pode causar hiper­sensibilidade, que leva a pro­blemas como queda de cabelo e casaço físico.

• Ingredientes da mistura

Suplemento ocm cereais e grãos aumenta a sensação de saciedade.

- Farinha de trigo: Melhora o trânsito intestinal e combate o colesterol e glicemia, e dá sensação de saciedade.
- Leite de soja em pó: Atua como protetor cardiovascular e tem menos gordura que o leite de vaca.
- Linhaça marrom: A semente de lihaça é fonte de ômega3, que possui efeito protetor para o coração.
- Açúcar mascavo: é o açúcar da cana, natural e integral, que não passa pelo refinamento industrial.
- Aveia em flocos: É composta por fibras que ajudam a diminuir o colesterol.
- Gergelin: Contém gordura e é uma ótima fonte de cálcio.
- Gérmen de trigo: É rico em vitaminas do complexo B e possui uma grande quantidade de proteína.
- Gelatina sem sabor: é rica em colágeno, auxilia no combate a flacidez e rugas. Mantém sensação de saciedade.
- Guaraná em pó
: Possui ação energética ajudando a manter o estado de alerta por mais tempo.
- Levedo de cerveja: é um composto rico em vitamina B, que ajuda a regularizar o intestino.
- Cacau em pó: Tem pouco açúcar e é rico em sais minerais, como ferro,magnésio, potássio e fósforo.

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