Aprenda a tirar férias e relaxar


Jornal Folha de São Paulo - por Tom Brady

A temporada de férias de verão nos Estados Unidos está aberta e muitos pretendem ir para ... lugar nenhum.

O TraveI Channel tenta inspirar as pessoas a se levantar do sofá, apresentando programas como "Parques Aquáticos Radicais", que levam o público ao mais alto tobogã aquático do mundo, em Fortaleza, no Brasil. Em "Trip Flip" pessoas que já estão em férias são transferidas para hotéis chi­ques. Mas Neil Genzlinger escreve no "Times" que os produtores desses pro­gramas não entendem a sensibilidade americana.

"Não há nada que os americanos da corrente dominante gostem mais do que estar com pessoas iguais a eles", escreveu Genzlinger. "Isso significa que não queremos programas sobre aventuras exóticas. O que queremos é um Canal Fique em Casa."

Hoje em dia muitos americanos se contentam em ter um emprego e te­mem que o tempo que passam longe do escritório possa se tornar permanente se o chefe perceber que eles realmente não fazem falta. Até o presidente Oba­ma, cuja segurança no emprego é uma questão em aberto, está dispensando sua escapada anual para a praia na ele­gante ilha de Martha"s Vineyard.

Os marqueteiros perceberam, re­latou Tanzina Vega no "Times". Eles estão produzindo comerciais que insistem em que os "trabalhadores cometam pequenos atos de rebelião -como tirar férias ou fazer pausas pa­ra o almoço".

Em um comercial de TV para Las Vegas, uma mulher sobe em sua mesa em um escritório e grita: "Eu tenho 47 dias de férias. Isso é loucura. Vamos re­cuperar nosso verão! " Ela levanta uma placa que diz "Férias já". "Quem está comigo?", pergunta. Alguns aplaudem. Outros olham para o lado.

Parte o problema pode ser que mui­tos de nós simplesmente não sabemos como "recuperar o verão". O repórter do "Times" Matt Richtel teve esse pro­blema no Havaí. Uma folga de sete dias em março para desfrutar as ilhas foi passada checando seu telefone, lamen­tando a chuva e lidando com seus filhos vítimas do jetlag. Ele escreveu: "Eu esperava voltar para casa em paz. Em vez disso, estava exausto e irritado".

Então, em sua próxima viagem, Richtel consultou especialistas, que fo­ram gentis o bastante para não indicar que se ele precisava de conselhos sobre como relaxar talvez essa fosse uma parte do problema.

- Aprenda a desligar a mente acele­rada diariamente. Assim, quando você viajar, terá alguma prática de relaxa­mento. Respirar fundo funciona.

- Afaste-se da rotina diária. Sair de casa não basta. Deixe seu telefone no bolso também.

- Aceite o tédio. É bom não fazer na­da. Não substitua sua obsessão por tra­balho por uma agenda de férias cheia de aula de pilates e de voo livre.

- Não tente trabalhar quando esti­ver de folga.

Jonathan Schooler, professor de psi­cologia da Universidade da Califórnia, aprendeu essa última lição da maneira mais dura. Durante recente viagem familiar à Noruega, ele pensou que poderia trabalhar um pouco e levou seu laptop. Nunca relaxou completamente. O professor Schooler deveria saber disso. Sua pesquisa mostrou que as pessoas são mais criativas quando se permitem sonhar acordadas ou fazer atividades mentais pouco complexas. "Parte do problema é que não acredi­tamos realmente no valor do devaneio mental", disse ele.

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