Arte aprimora cérebro infantil


Motivação e atenção sustentada modulam circuitos cognitivos.

Revista Scientific American

De que forma a arte influencia a cognição das crianças? Essa pergunta audaciosa começa a ser res­pondida por Michael Gazzaniga, um dos mais respeitados neurocientistas da atualidade e autor de Ciência psicológica - Mente, cérebro e comportamento (Artmed, 2005). O psicólogo da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara está à frente de um estudo que começou há três anos e ainda deve se estender por mais cinco, mas alguns resultados preliminares já foram divulgados.

Usando técnicas de imageamento cerebral, o pesquisador observou que a participação em atividades artísticas, bem como a apreciação de obras de arte, leva a um alto grau de motivação que produz atenção sustentada e ativa diversos circuitos cognitivos do cérebro. O teatro afeta positivamente a memória, pois a criança aprende a manipular gran­des quantidades de informação semân­tica. O gosto pelas artes plásticas está associado ao temperamento mais flexível e à maior atividade de genes relacio­nados ao neurotransmissor dopamina.

Gazzaniga alerta, entretanto, que quando os resultados envolvem a ge­nética é difícil saber o que é causa e o que é consequência. Por isso mesmo, a próxima fase do estudo tem o objetivo de investigar se existe predisposição inata para o senso estético, ou se, ao contrário, o desenvolvimento deste é capaz de modular a expressão gênica no início da vida.

© Copyright 2020 - Todos os direitos reservados à Methodus