Bom para o coração e para o cérebro


Colesterol alto é fator de risco não só para doenças cardiovasculares, mas também para demência; alimentação balanceada ajuda a prevenir.

Revista Scientific American - por Fernanda T. Ribeiro

Nos últimos anos foram publicados vários estudos que apontam marcadores biológicos em comum para problemas cardfacos e distúrbios neurológicos ou psíquicos. Um deles, divulgado pela Neurology em 2011, relaciona nfveis altos de colesterol na meia-idade a um risco maior de desenvolver Alzheimer duas ou três décadas mais tarde.

"Maiores quantidades de colesterol "ruim" no sangue por volta dos 40 anos têm alguma relação, ainda não totalmente esclarecida, com o futuro aumento da produção e acúmulo no cérebro das proteínas alteradas que caracterizam a doença", explica o nutrólogo Neal Barnard, professor de medicina da Universidade George Washington, autor do livro Power foods for the brain (alimentos poderosos para o cérebro, sem tradução para o português).

Barnard, aponta as desvantagens do consumo de gorduras saturadas, presentes principalmente em produtos de origem animal - como carnes, manteiga, leite.
i Elas aumentam o colesterol LDL, o "ruim", que se deposita nas artérias e eleva o risco de problemas cárdio e cerebrovasculares, como infarto e derrame cerebral.
"Ao serem levadas ao fogo, as carnes também liberam compostos tóxicos que aceleram o envelhecimento das células cerebrais, as aminas heterocíclicas. Isso inclui até mesmo os peixes, mas em bem menor quantidade", diz o nutrólogo.

Tanto o coração como o cérebro se beneficiam das gorduras insaturadas. Encontradas em maiores quantidades no óleo de oliva (que não deve ser exposto a altas temperaturas, que destroem suas propriedades) e peixes de águas marinhas frias e profundas, como o salmão, elas ajudam a reduzir os níveis de colesterol LDL. Os ácidos graxos insaturados ômega-3, utilizados na construção e preservação da bainha de mielina, camada que cobre o corpo dos neurônios e aumenta a velocidade de condução do impulso nervoso.

Pesquisadores do Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital do Coração (HCor) em São Paulo, em parceria com o Ministério da Saúde, estão desenvolvendo um estudo com 1.720 brasileiros que avalia os efeitos de mudanças simples na dieta para a saúde cardíaca e, consequentemente, do organismo como um todo - nada mais que aumentar o consumo de verduras, legumes e frutas e diminuir o de produtos industrializados e ricos em açúcar e em gordura saturada. No final de 2011, o mesmo grupo fez um estudo piloto com 120 pessoas com histórico de infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) e observou que seguir a "dieta
cardioprotetora" por 12 semanas reduziu a pressão arterial, o peso e o colesterol LDL. No estudo em andamento, "estão sendo considerados aspectos regionais, isto é, o consumo de produtos específicos do local e que fazem bem à saúde cardiovascular", diz a nutricionista e pesquisadora Camila Torreglosa. A divulgação dos resultados está prevista para 2015. .

Pessoas que se acham bondosas tendem a ser mais corruptas, diz estudo.
Você é uma pessoa boa? Antes de recapitular suas ações e esboçar uma resposta, saiba que uma série de estudos publicados nos últimos anos sugere que o cérebro faz, de maneira não consciente, uma espécie de balanço mental de nossas atitudes morais que busca compensar atitudes egoístas com outras mais generosas - ou o contrário. Ou seja, uma pessoa "de bem" pode se permitir, às vezes, cometer ou aceitar atitudes eticamente questionáveis. Esse fenômeno é chamado de "licença moral" pelos pesquisadores do assunto.

Em um estudo da Universidade da Califórnia, voluntários adultos participaram de um jogo de palavras que premiava os vencedores com pequenas quantias de dinheiro. Antes do jogo, os pesquisadores enfatizaram que as recompensas eram doadas por uma organização comercial que mantinha práticas de trabalho antiéticas - e os prêmios só tinham validade se fossem gastos nessa mesma empresa. De acordo com os pesquisadores, que publicaram seus resultados na Social Psychological and Personality Science, os voluntários em geral pareceram não se esforçar para ganhar "dinheiro sujo" e tenderam a subestimar as recompensas. Curiosamente, porém, metade dos participantes foi solicitada a escrever sobre suas mais recentes boas ações antes do jogo: esse grupo lucrou, em média, 40% a mais que os jogadores que não tiveram oportunidade de afirmar suas virtudes. .

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