Brasileiros procuram graduação nos EUA


Custo equivalente ao de cursos no Brasil atrai, mas inglês ainda é o principal desafio.

jornal Folha de São Paulo - por Paulo Saldaiía

Entrar na faculdade já é fator de ansiedade para a maioria dos estudantes. Mas a paulis­tana Nathalia Santos Freitas não consegue dormir pensan­do nisso. Ela vai estudar psico­logia em Missouri, nos EUA, pelos próximos anos. As aulas começam em agosto. ""Vou começar do zero em outro país, tem de fazer ami­gos tudo de novo. Vai ser difí­cil, mas estou muito empolga­da", diz ela, que tem 19 anos e faz parte de um grupo de estu­dantes que não quer só um in­tercâmbio de alguns meses. A ideia é completar toda a gra­duação no exterior. "Eu pro­curei uma empresa e levei meus pais. Percebemos que era viável e, somando tudo, saia quase o mesmo custo de es­tudar aqui."

Levantamento da Exchange International (EI) Brasil, que mediou a ida de Nathalia, mos­tra que os gastos em algumas ins­tituições americanas podem ser até menores do que no Brasil. O país conta com mais de 3 mil ins­tituições de ensino superior. "O sistema educacional dos
Estados Unidos tem uma quali­dade indiscutível. Antes nem se falava em universidades de ou­tros países, mas agora as pessoas estão achando possível estudar fora e a procura só cresce", expli­ca Ricardo Raposo, diretor aca­dêmico e esportivo da (EI) Brasil. Segundo ele, uma família que po­de pagar, por exemplo, um curso no Mackenzie tem total condi­ção de manter um estudante nos Estados Unidos. "E ele terá uma experiên­cia de vida que aqui não teria, vai amadurecer muito."

A estudante Karine Araujo Ri­beiro, de 19 anos, está sentindo isso. "Eu tenho de correr atrás de tudo, desde procurar casa a arrumar o carro. Tenho de pagar as contas, administrar o dinhei­ro. E chegar em casa, na minha casa, é muito legal", diz. Karine está desde julho do ano passado cursando a Santa Barbara CC, na Califórnia. O câmpus fica ao la­do da praia, o que contou na hora da escolha.

Ela cursa Engenharia Biológi­ca. A independência e a vida à beira-mar são pontos positivos, mas ela está realmente impressionada com a qualidade do que tem encontrado por lá. "Todas as aulas têm, além do professor, um tutor que auxilia nas dúvi­das. Os professores ficam dispo­níveis após as aulas. Tenho a im­pressão de que aqui realmente eles querem que a gente aprenda e não apenas decore as coisas."

Aluno do 3.° ano da Eastem New México, no Estado america­no do Novo México, Luiz Rober­to Buosi Bachiega, de 23 anos, também tem uma avaliação mui­to positiva de seu curso de Admi­nistração e Negócios. Bachiega cursou no Brasil dois anos de En­genharia no Instituto Mauá, na Grande São Paulo, e sente a dife­rença dos modelos. "O curso na Mauá era bem puxado, mas aqui vejo que é mais voltado para mundo profissional. Eu aprendi a fazer e entender o resultado."

Como é o próprio aluno que monta sua grade horária, Bachkiega espera se formar em três anos e meio - um semestre antes do normal. Além de ralar nas sala de aula, ele ainda joga futebol peIa faculdade - atividade que lhe rende uma bolsa de estudo. "E  já havia garantido a bolsa, depois estudei para passar nas provas no teste de inglês."   

• Seleção

Para ingressar no sistema americano é necessário ter boas notas no ensino médio e garantir bons resultados no Scholastic Assessment Test (SAT), o vestibular americano, e no Toefl, de proficiência em inglês.

"O maior empecilho ainda continua sendo o inglês. Mas há opções de cursos de idiomas de preparação", diz André Simonetti, da Central de Intercâmbios. Para Renata Sanata, de STB, é importante que o aluno seja focado. "Existem alguns alunos preparados para iniciar de uma vez, mas muitos ainda não estão e o ideal que façam um programa de iniciação, de seis meses, voltado para estudantes estrangeiros".

Para lembrar

Encaminhar estudantes para estudar no exterior é a grande aposta do gover­no federal e também de grandes universidades bra­sileiras. No ano passado, a presidente Dilma Rousseff assinou a criação do pro­grama Ciências Sem Fron­teiras. Segundo o governo, serão concedidas mais de 100 mil bolsas de estudo no exterior até 2015. Cerca de 11 mil já estão no exte­rior pelo programa e ou­tros 9 mil devem chegar até o fim do ano.

A USP criou um progra­ma de bolsas internacio­nais, voltado para a gradua­ção. Mil bolsas serão ofere­cidas. Unicamp e Unesp também criaram progra­mas semelhantes.

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