Carreira profissional: a soma de dois medos


Você não vai muito longe na carreira se não correr riscos, então não tenha receio de expor suas ideias e projetos.

Jornal Folha de são Paulo - por Adriana Gomes*

Duas atitudes que efetivamente podem enter­rar a carreira de um profissional são o conformis­mo e a incapacidade de correr riscos. O primeiro é o comportamento que transforma as pessoas em re­féns de si mesmas e do mundo que as cerca. Trata­-se de um estado de submissão, consciente ou não, - que as toma incapazes de tomar decisões que as coloquem em situação de conflito.

Por medo de se expor, o profissional aceita con­dições, normas e regras nem sempre satisfatórias. Muitas vezes, ele mantém a sua própria opinião, mas assume publicamente a da maioria. A vonta­de é menor do que o receio. E, com o conformismo instalado, a capacidade de correr riscos simples­mente desaparece.

Arriscar-se implica expor novos conceitos e pro­jetos, mas se a pessoa crê que nada pode mudar, que ninguém vai escutar ou que ela pode sofrer retalia­ções e criticas, suas ideias já nascem mortas, mesmo que sejam boas.

Para que alguém progri­da profissionalmente, em um mundo altamente exi­gente e nervoso, essas duas questões devem ser trabalhadas. Você não irá muito adiante se não se arriscar: não estou me referindo a risco de morte, mas, sim, à confiança e à crença de que é possível fazer al­guma coisa diferente e melhor em seu trabalho.

Tenha coragem de conversar com seus superio­res sobre suas ideias e sobre possibilidades de me­lhorias no seu setor ou ainda sobre sugestões de transferência para uma área pela qual você tem mais interesse. Prospecte trabalho em um segmen­to que seja mais atraente para você. Não espere por reconhecimento imediato e re­compensas. Pense em fazer a diferença, em ser al­guém que as pessoas consideram referência.

Por meio das redes sociais, temos hoje, mais do que nunca, possibilidades enormes de sermos "es­cutados". Por isso, participe de fóruns, escreva suas ideias e compartilhe-as. Essas atitudes podem, no médio prazo, resgatar sua autoestima de maneira produtiva e positiva.

Há muitos exemplos de pessoas que consegui­ram transformar a própria carreira a partir de ati­tudes como essas. Mas isso não acontece sem con­flitos ou riscos. Muito menos sem persistência.

*É coordenadora do Núcleo de Estudos e Negócios em Desenvolvimento de Pessoas na ESPM.

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