Como escolher a escola ideal


Poucas resoluções familiares geram tanta insegurança, principalmente para os pais de primeira viagem, como a escolha da escola do filho. De fato, não existe a fórmula da escola perfeita.

Revista Veja

"Muitos fatores entram na balança. da condição socioeconômica da família às características emocionais e cognitivas da criança. Por isso, as palavras-chave para essa escolha são prioridades, compensações e comunicação", diz a psicopedagoga paulista Adriana Fóz. Ou seja, muito diálogo entre os pais ajuda a definir o que eles consideram indispensável na instituição, e ainda aponta caminhos para a compensação de eventuais falhas ou lacunas. Em um aspecto os especialistas são unânimes: a filosofia da escola deve estar alinhada aos valores familiares. O processo exige dedicação:
escarafunchar o site, comparar as mais recentes posições no Enem e conversar com pais de alunos é apenas uma parte da gincana. Mas a visita ao estabelecimento e, claro, uma boa conversa com o diretor e o coordenador pedagógico é que podem revelar qualidades e defeitos. No dia da visita, o olhar da criança também deve pesar na decisão. Afinal, se ela não se sentir bem no ambiente, a adaptação poderá ser ainda mais complicada. A seguir, dicas para os pais que estão começando essa peregrinacão.

Qualidade do ensino

Mesmo os pais que não veem a escola primordialmente como o caminho que leva ao vestibular devem conhecer o projeto pedagógico da instituição. Informar-se sobre a formação do corpo docente é fundamental: investigue se os professores são graduados na área que lecionam e se a escola investe na sua capacitação contínua, bem como em cursos de atualização dos coordenadores pedagógicos.
Conheça a política da instituição sobre lição de casa: pouca tarefa não é bom sinal, já que o debruçar-se sobre a matéria ensinada antes em sala é parte fundamental da fixação de conceitos e de um treino que não tem preço - o de autodisciplinar-se e "aprender a aprender". Durante a visita, verifique se os laboratórios de ciências e as salas multimídia são bem equipados. E veja se a biblioteca incentiva a leitura: seu filho se sentiria convidado a frequentá-Ia ou seria repelido pelo cheiro de mofo?

Desenvolvimento socioemocional

"O papel da escola não se restringe à preparação para o vestibular. É seu dever também oferecer formação humana e cultural", diz Célia Maria Guimarães, professora do departamento de educação da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp). A escola tem de estar atenta a manifestações de medo, raiva e tristeza, por exemplo. Quando identifica tais comportamentos, a coordenação convida os pais a conversar e tentar entender sua causa? Outro termômetro: coordenadores e diretores são capazes de citar casos concretos de alunos com dificuldade de aprendizagem, como dislexia, e demonstram segurança e objetividade ao relatar como costumam lidar com o problema?

Estímulo à criatividade 

As paredes da escola exibem desenhos, colagens e outros projetos artísticos realizados pelas crianças? Se a resposta é sim, ponto para a escola. Expor os trabalhos dos alunos é um sinal de que a escola valoriza a criatividade dos pequenos desde a educação infantil. O teor das atividades, claro, também incentiva (ou não) a imaginação. "A escola que prioriza a criatividade não dá desenhos prontos para a criança colorir. Ela emprega diferentes técnicas de desenho e pintura para estimulá-Ia", diz Célia Guimarães. Por fim, uma . programação frequente, com contadores de histórias, aulas de teatro e clube do livro, alimenta o lado criativo dos alunos.

Valorização da disciplina

O ideal é que se busque o equilíbrio entre a imposição da disciplina e o estímulo à autonomia.
Durante a visita, pergunte qual seria a conduta da direção caso seu filho violasse uma regra da escola.
A resposta pode revelar desde uma instituição rígida demais, disposta a suspender o aluno que comete a mais leve infração, até uma escola excessivamente tolerante, que não impõe os devidos limites a comportamentos prejudiciais ou antissociais. O melhor é encontrar o meio-termo - ou seja, a escola que sabe identificar situações que exigem providências imediatas, mas está também aberta ao diálogo, a conversar com a criança e seus pais antes de agir. O que se almeja é que nem o. aluno seja condicionado a obedecer cegamente nem ande na linha só quando está sendo vigiado, tampouco sinta que pode fazer o que bem entender - mas, sim, desenvolva a capacidade de compreender e seguir regras que são criadas em prol do bem comum. A escola, porém, não está sozinha nessa tarefa:
é importante que os pais endossem e legitimem sua filosofia disciplinar, para que a criança não receba um recado em casa e outro, contraditório, no colégio, explica Teresa Messeder Andion, diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia.

Sistema de avaliação

 A pontuação da prova é o principal sistema de avaliação nas escolas mais tradicionais; em outras, ela é apenas parte de um processo que inclui trabalhos interdisciplinares e o desempenho do aluno nas atividade es em grupo. Em ambos os casos, a chave está na comunicação entre escola e família:
quanto mais estreita é a relação dos pais com o colégio, maior é a preocupação da instituição com a qualidade do aprendizado. Ou seja, verifique se o boletim de notas é o único meio de informação sobre o desempenho escolar ou se, no decorrer do ano, os pais têm acesso à evolução do filho também através de relatórios e avaliações.

De olho na criança

Conhecer a fundo o projeto pedagógico da escola é um dos pilares do processo de escolha da instituição. Outro fator determinante nessa decisão é o perfil do pequeno - em especial se ele dá sinais de ter interesses ou traços de personalidade muito marcantes. A criança é muito tímida? Ou é excepcionalmente independente e cheia de opinião? Demonstra uma veia artística acentuada? Ou não quer saber de desenho nem teatrinho, mas tem uma aptidão clara para a matemática e disciplinas afins? Esses são apenas alguns exemplos de situações que podem pôr o aluno em choque com a instituição de ensino, transformando sua rotina em martírio e afetando seu desempenho na sala de aula. Afinal, a criança infeliz na escola acaba perdendo a motivação e o interesse pelos assuntos acadêmicos. Traços de personalidade e aptidões pessoais explicam também por que um colégio pode atender às necessidades de um filho mas, ao mesmo tempo, revelar-se incompatível com as de seu irmão mais novo. "É comum que, em uma família com três filhos, pelo menos um deles tenha de estudar em uma escola diferente em algum momento da vida", diz a psicopedagoga Adriana Fóz, de São Paulo. A profissional listou perfis cognitivos baseados em habilidades e idiossincrasias.
Para cada perfil, dê um peso de O a 3. E use então esta tabela de notas para, naquele momento de dúvida entre um e outro colégio, refletir sobre em qual deles seu filho se sentiria mais acolhido:

Bilíngue desde pequeno

Matricular o filho em uma escola internacional ou bilíngue é uma opção atraente para as famílias que têm no aprendizado de um segundo idioma uma prioridade. A seguir, as diferenças entre esses dois tipos de instituição.

Escolas bilíngues 

Como funcionam: o novo idioma é introduzido aos poucos e de forma lúdica. A tendência é priorizar a alfabetização na língua nativa e só então passar a oferecer parte das aulas no segundo idioma A idade ideal: na maioria delas, os alunos podem ingressar a qualquer momento - mas a melhor fase para iniciar o aprendizado pleno de um idioma é entre 1 e 4 anos. Mensalidade média: de 1 500 a 3000 reais

Escolas internacionais

Como funcionam: concorridíssimas, essas escolas - na maioria americanas ou britânicas - costumam abrir processo seletivo duas vezes por ano. Mesmo assim, sempre há muito mais candidatos do que vagas. Concentradas em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, elas oferecem
todas as aulas em inglês; exceto, claro, algumas disciplinas, como o próprio português ou história do Brasil. Voltadas para filhos de expatriados ou de ex-alunos, funcionam em período integral e, geralmente, seguem o calendário do Hemisfério Norte, no qual o ano letivo tem início em setembro.  A idade ideal: o aluno é aceito em qualquer idade. Mas é comum que, a partir dos 3 anos, ele tenha de comprovar a capacidade de se comunicar no idioma da escol.a Mensalidade média: de 3300 a 6000 reais.

 

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