Distúrbio auditivo é confundido com deficit de atenção


Falha no processamento dos sons leva crianças a ter problema de concentração e mau desempenho escolar. Dificuldade de entender conversas em locais barulhentos, contar histórias e perceber entonação são sintomas.

Folha de São Paulo - por Mariana Versolato

Muitos dos sintomas são iguais: dificulade de se concentrar, desorganização, esquecimento, mau desempenho na escola e problemas de relacionamento. Por isso a dificuldade de saber se uma criança  com dificuldade de aprendizagem tem transtorno de deficit de atençao e hiperativdade ou DPAC(distúrbio do processamento auditovo central).

O problema é umaf alha na forma como o sistema nervoso central processa o som. Hão há deficiência no aparelho auditivo, mas uma dificuldade para compreender o significado da mensagem. Nomeado oficialmente nos EUAe m 1996, o distúrbio ainda está se tornando mais conhecido por pais e professores. Segundo estudos, pode atingir até metade das crianças com dificuldades de aprendizagem.

Ainda se sabe pouco sobre causas - infecções no ouvido na infância estão entre elas, mas suspeita-se também de alterações neurobiológicas genéticas e meningite. Crianças inteligentes, interessadas e que, mesmo assim, vão mal em várias matérias são candidatas a ter DPAC. É o caso de Edurda, 12, de Brasília. A mãe, Luísa Casado Lima, afirma que a filha sempre foi esforçada, mas não conseguia se concentrar e começou a cometer erros de grafia. Luísa, que é dentista, levou a filha a uma fonoaudióloga, a um neurologista e a um ortopedista. No exame de audiometria, feito em cabine acústica, o processamenteo auditivo estava alterado. Eduarda ouvia bem, mas não entendia o que era dito.

Moda

A mãe acha que o DPAC é moda. "Todo aluno tem alguma coisa, qualquer dificuldade é atribuída a alterações". o filho dela, Henrique, 10,  também foi diagnosticado com o problema. O neuropediatra Paulo Junqueira também percebe um crescimento no número de diagnósticos. Para a fonoaudióloga Vera Lúcia Garcia, diretora secretrária da Associação Brasileira de Fonoaudiologia, os diagnósticos vão ficando mais específicos com a evolução da neurociência. "Hoje a disseminação do distúrbio é maior e há mais recursos para avaliá-lo".

Nicolas Araujo, 9, do Rio, também foi diagnosticado com o DPAC. A mãe, Rachel, demorou para descobrir quais eram as dificuldades.O que chamava a atenção da mãe é que qualquer frase era interpretada ao pé da letra. "O Nicholas não entendia brincadeiras, piadas, algo com duplo sentido", diz. O tratamento é feito com fonoterapia, para ajudar a criança a separar e entender o que ouve.

Além de terem sintomas similares, o deficit de atenção e o distúbrio auditivo podem coexistir - o que é muito comum, segundo o neuropediatra Paulo Alves Junqueira. "É preciso tomar muito cuidado ao colocar um rótulo porque as características são similares. Há uma linha muito tênue entre os dois".

Entenda o problema

O que é: pessoas com o distúrbio de processamento auditivo escutam os sons, mas  têm dificuldades de entendê-los, armazená-los. O DPAC é uma falha do sistema nervoso central.

Características: 1) Dificuldade de ouvir com ruído - uma conversa no meio da rua exige muito esforço; 2) Não consegue localizar de onde vem o som; 3) Problemas em seguir instruções; 4) Dificuldade de entender ritmo, ênfase e entonação; 5) Grande esforço para se manter concentrado; 6) Problemas de leitura, escrita e linguagem (dificuldade de contar uma história, por exemplo).

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