Dormir Menos Prejudica Atenção Memória de Idoso


Envelhecimento aumenta dificuldade para dormir, mas necessidade de sono não cai. Testes cognitivos aplicados em idosos mostraram que o sono insuficiente prejudlca a capacidade do cérebro funcionar plenamente.

Jornal Folha de São Paulo - por Fernanda Basete

Pessoas idosas precisam dor­mir o mesmo número de horas a que estavam habituadas quando adultos jovens para evitar deficit cognitivo, conclui um estudo divulgado anteon­tem na reunião da MAS (Asso­ciação Americana para o Avan­ço da Ciência), em San Diego.

O pesquisador Sean Drum­mond, especialista em sono e memória da Universidade da Califórnia, aplicou testes cog­nitivos em 33 voluntários de 68 anos e constatou que o sono em quantidade insuficiente preju­dica a capacidade de o cérebro funcionar plenamente. Segun­do a pesquisa, os idosos que dormiam menos horas por dia apresentaram mais dificuldade para memorizar unia lista de substantivos, por exemplo.

De acordo com Drummond, o ideal é que o idoso durma de sete a oito horas, pois um sono com menos de seis horas seria prejudicial à saúde e reduziria a capacidade de o idoso realizar tarefas e lembrar-se das coisas.

"O problema é que as pessoas encontram mais dificuldade para dormir à medida que en­velhecem e pensam que isso é um sinal de que precisam de menos sono, mas não é o caso. A qualidade do sono pode cair, mas a quantidade deve ser mantida", disse Drummond.

 Segundo especialistas con­sultados pela Folha, o sono do idoso é naturalmente mais fragmentado e mais superficial por causa do envelhecimento.

Isso pode diminuir a quanti­dade ele sono REM (fase do so­no em que acontecem os so­nhos e a consolidacão da me­mória, atenção e concentração) e também a fase profunda do sono não REM (fase de ondas lentas, que também parecem estar relacionadas ao processa­mento de informações).

O problema piora porque uma boa parte deles apresenta outros fatores como depressão, insônia e apneia do sono - o que os faz dormir menos ainda e também diminui a cognição.

"Se considerarmos as 24 ho­ras do dia, o idoso dorme por volta de sete horas, assim como um adulto. A diferença é que ele dorme menos no período noturno e compensa com pe­quenos cochilos durante o dia. Mas existem outros fatores, como depressão e apneia do sono, que atrapalham o sono e, con­sequentemente, pioram a cog­nição do idoso", diz neurofisio­logista clínica Stella Tavares, do Laboratório do Sono do Ins­tituto de Psiquiatria do HC.

De acordo com a neurologis­ta Dalva Payares, coordenado­ra do Instituto do Sono e pro­fessora da Unifesp (Universi­dade Federal de São Paulo), a queda na qualidade do sono é uma das características do en­velhecimento - o que não sig­nifica que o idoso precise dor­mir menos do que fazia quando era um adulto jovem.

"Desde que a gente nasce, o número de horas que a gente precisa dormir diminui, até se estabilizar na idade adulta. Com o envelhecimento, algu­mas fases do sono mudam. O sono do idoso fica mais frag­mentado, ele tem vários micro­despertares, acorda mais para urinar, se vira mais na cama. Is­so pode levar a problemas de cognição quando o idoso deixa de "funcionar" normalmente."

• O Ciclo do sono

Basicamente o sono é dicvidido em REM e não REM. As duas fases se intercalam durante toda a noite, sendo que o sono profundo (não REM) prevalece no início do ciclo e o sono REM normalmente a contece a partir da segunda mentade do ciclo.

- Fase 1: É a de sonolência. Músculos relaxam e cai a pressão sanguínea.

- Fase 2:  A pessoa fica imune a barulhos "não importantes". O relaxamento é aprofundado.

- Fase 3: É o sono de ondas lentas, o sono profundo. Se acordar, a pessoa não sabe onde está.

- Sono REM: É a fase em que ocorrem os sonhos e a consolidação da memória, atenção e concentração.

- O sono bom: Recupera as energias. Consolida a memória. Descansa e "desliga" o corpo das atividades do dia. Diminui o risco de depressão.

• Crianças: Sono durante o dia aumenta aprendizagem de bebês

Um estudo da Universidade do Arizona mostra que bebês que tiram uma soneca durante o dia têm mais chances de atingir níveis avançados de aprendizagem. Em duas sessões, os pesquisadores disseram diversas frases para bebês que dormiram entre os testes e para bebês que ficaram acorda­dos. Pela observação das expressões faciais das crianças, no­tou-se que os bebês que tinham dormido entre as sessões ainda reconheciam as novas informações.

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