Dormir pouco afeta funcionamento de genes


Revista Mente e Cérebro

A privação de sono afeta a atenção, a cognição e as defesas imunológicas, facilitando a ocorrência de acidentes e distúrbios físicos ou mentais. Até aí nenhuma novidade. Os mecanismos biológicos responsáveis por esses efeitos, ainda pouco estudados, começam a ser desvendados por pesquisadores brasileiros. Em um artigo publicado na revista Bebaviorial Brain Research, os estudiosos verificaram que ratos privados de sono REM por 96 horas apresentaram modificação na expressão de 78 genes do córtex cerebral, os quais os autores acreditam estar envolvidos em funções cognitivas como memória e atenção, além de processos metabólicos. O REM é a fase do sono que, em humanos, ocorre predominantemente na segunda metade da noite e está relacionada aos sonhos. Depois desse período em que não puderam dormir (presos a uma pequena plataforma cercada de água), os animais tiveram um descanso de 24 horas, mas apenas 62% dos genes anteriormente alterados tiveram sua expressão normalizada; nos demais, recuperação foi parcial, sugerindo ser necessário mais tempo para que todos os genes possam voltar a funcionar plenamente. Na próxima etapa da pesquisa, os cientistas vão analisar as alterações genéticas de outras áreas cerebrais além do córtex.

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