Droga eleva o colesterol bom e reduz o ruim


Pesquisa divugada em congresso de cardiologia nos EUA nesta semana analisou a ação do remédio em 400 pessoas. Médicos ainda temem possiveis efeitos colaterais; remédio similar estâ sendo testado no Brasil.

Jornal Folha de São Paulo - por Débora Mismetti

Estudo apresentado nesta semana no congresso da American Heart Association, em Orlando, nos EUA, mostra que um novo remédio coinseguiu aumentar os níveis do chamado colesterol bom, o HDL, e baixar as taxas do ruim, o LDL. Quando combinado aos remédios já usados para baixar  o colesterol (estatinas), o evacetrapib mais que dobrou os níveis do colesterol bom e reduziu em até 35% o colesterol ruim, além de diminuir  os triglicérides, outro indicador de risco cardíaco que é medido em exames de rotina.

O novo remédio pertence a um grupo de substâncias que inibem uma proteína responsável por transferir o colesterol do HDL para o LDL, aumentando a proteção contra o entupimento dos vasos. O HDL funciona "limpando" o colesterol das artérias e o levando até o fígado. De lá, ele é eliminado pelo corpo.

Segundo Raul Santos, diretor da unidade de lípides do Instiuto do Coração (InCor), um nível baixo de HDL é um sinal de risco de infarto. Resultados abaixo de 40mg/dl para homens e 50mg/dl para mulheres são um sinal de alerta. de acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Remédios da mesma família do evacetrapib vêm sendo testados há alguns anos. oprimeiro deles foi uma grande decepção para os médicos, afirma Santos, porque aumentou a pressão arterial dos pacientes e o risco de problemas cardíacos. 

"Depois disso, foram de­senvolvidas mais três molé­culas que, até agora, não cau­saram esses efeitos." Um desses medicamentos, o dalcetrapib, está sendo tes­tado no InCor por 20 pacien­tes, há dois anos. "Em 2013 devemos ter uma resposta so­bre os efeitos da droga." Os médicos ainda precisam determinar se o mecanismo usado pela droga para aumentar o colesterol bom po­de prejudicar a pessoa a lon­go prazo. A proteína cuja ação é inibida pelo remédio para aumentar o colesterol bom pode ter uma ação protetora para as artérias. "O efeito do remédio sobre o colesterol é ótimo, mas aín­da não sabemos se isso vai prevenir eventos cardíacos" , diz Santos.

O novo estudo, feito por médicos da Cleveland Clinic e publicado no "Joumal of the American Medical Association", sugere testes maiores para comprovar os beneficios do remédio.

• Polêmica

Um outro estudo apresentado no congresso americano de cardiologia e publicado no "New England Journal of Medicine" levanta o deba­ te sobre outra substância usada há mais de 50 anos para aumentar o HDL, a niacina. A pesquisa analisou o im­pacto da substância em pes­soas com LDL controlado (abaixo de 70 mg/dl). Segundo os autores e um editorial publicado na revista médica, o remédio deve ser aposenta­do, porque não aumenta o co­lesterol bom dos pacientes e causa vermelhidão da pele. Segundo o cardiologista do O InCor, no entanto, ainda é preciso esperar o resultado de um estudo maior, com 25 mil pessoas, antes de desistir do remédio. "Ele é seguro, está no mercado há décadas.

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