Emoções na ponta dos dedos


Pessoas com sinestesia táctil podem sentir tristesa, alegria ou alívlio ao tocar diferentes texturas.

Revista Scientific American - por Luciana Christiane

Quando toca com as mãos um pedaço de seda, A. W sente uma sensação de bem-estar e contentamento; já a textura do brim a deixa deprimida; o veludo cotelê a confunde; papéis com diferentes gramaturas suscitam sensações de culpa, alívio ou a impressão de que tem algo a esconder. Esta garota de 22 anos é um dos dois casos de sinestesia táctil-emocional descritos pelo neurocientista Vilayanur Ramachandran, da Universidade da Califórnia em San Diego, na revista Neurocase. A sinestesia é um fenômeno perceptivo no qual um estímulo sensorial de determinada modalidade deflagra uma sensação de outra modalidade. Assim, alguns sinestésicos "percebem" um aroma específico toda vez que vêem a cor azul, ou "sentem" o amarelo sempre que escutam certa nota musical. Não se trata de um distúrbio - e é mais comum do que se imagina. Os neurocientistas acreditam que a sinestesia se deve a algum cruuzamento acidental dos circuitos sensoriais ocorrido durante o desenvolvimento cerebral.

É a primeira vez, entretanto, que se reconhece a existência da sinestesia táctil-emocional. No mesmo artigo, Ramachandran descreve também o caso de outra moça, de 20 anos, que relatou sensações diferentes aos mesmos estímulos: o couro despertou medo; o veludo cotelê a deixou desapontada; a cera lhe causou nojo e o metal liso trouxe relaxamento. O autor sugere que estas experiências possivelmente resultem de uma ativação cruzada entre o córtex somato-sensorial, que processa as informações sensoriais, e a ínsula, um componente do sistema límbico, localizado no lobo temporal e associado às emoções.

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