Estudo Associa Exercícios físicos a Maior Inteligência


Atividades aeróbicas estimulam o desenvolvimento de neurônios no cérebro. Trabalho avaliou dados de mais de 1 milhão de homens na Suécia; condicionamento cardiovascularfoi medido por testes ergométricos.

Jornal Folha de São Paulo - por Julliane Silveira 

Exercícios físicos aeróbicos estão associados a uma melhor cognição (capacidade de o cére­bro processar informações e cruzá-Ias, dando respostas a um estímulo) em jovens. É o que mostrou um estudo realizado pela Universidade de Go­temburgo (Suécia) com mais de 1 milhão de homens de 15 a 18 anos e publicado na última edi­ção da "Proceedings of the Na­tional Academy of Sciences".

O condicionamento dos ava­liados foi aferido por testes ergométricos. Aqueles que apre­sentavam melhores condições também se saíram melhor em testes de QI, especialmente nas áreas de compreensão verbal e pensamento lógico.

Para excluírem variáveis que pudessem influenciar os resul­tados, os pesquisadores consi­deraram o nível educacional dos pais e avaliaram as relações entre irmãos (gêmeos ou não).

"O mérito desse estudo é a in­formação de que os exercícios aeróbicos podem colocar a pes­soa em outro patamar. Imagine se ela sai de um nível mais alto de cognição na juventude: essa reserva poderá adiar a manifes­tação das perdas cognitivas da terceira idade", afirma o neuro­logista Li Li Min, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Universidade Es­tadual de Campinas).

Segundo Min, estudos com animais já apontaram que as atividades alteram a estrutura do cérebro e estimulam o de­ senvolvimento de novos neu­rônios, favorecendo a plastici­dade cerebral (capacidade de o cérebro se adaptar a situações).

Pesquisas em andamento do Grupo de Neurofisiologia do Exercício da Unifesp (Universi­dade Federal de São Paulo) também mostram que exercí­cios aeróbicos elevam os fato­res neurotróficos (de cresci­mento dos neurônios). Isso provoca um aumento no número de neurônios e o contato en­tre essas células, facilitando a transmissão de informações. "Não dá para dizer que o indi­víduo fica mais inteligente, mas sim que há uma melhora na cogníção. Do contrário, todos os atletas profissionais seriam um Einstein", pondera o neu­rofisiologista Ricardo Mário Arida, professor da Unifesp.

Para os pesquisadores, so­mente exercícios aeróbicos ti­veram relação com melhores resultados em testes cognitivos porque provocam maior oxigenação do cérebro, causada por um melhor condicionamento cardiopulmonar. Atividades de força, como musculação, não demonstraram o mesmo efeito.

Eles também compararam os resultados dos testes ergomé­tricos com as condições socioe­conômicas desses homens na meia-idade. Os mais condicio­nados tiveram mais chances de ter um nível educacional mais alto e empregos melhores.

"Políticas públicas de ativi­dades que melhorem o condi­cionamento cardiovascular não promovem só a saúde física mas também a saúde mental, cognitiva. O custo é baixíssimo e pode resultar em mais pes­soas com melhor nível educa­cional, buscando profissões melhores", defende Min.

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