Exercícios Físicos Previnem Envelhecimento das Células


Estudo mostra efeito sobre os telômeros, estruturas relacionadas à reprodução celular. Novos dados explicam o funcionamento molecular dos efeitos protetores da atividade física sobre várias doenças, como cancêr.

Jornal Folha de São Paulo - por Gabriela Cupany

A prática regular de exercí­cios previne o encurtamento dos telômeros, estrutura da cé­lula envolvida na reprodução celular. O achado é de um estu­do alemão, publicado no periódico científico "Circulation".

Quanto mais longo o telôme­ro, mais eficaz. Quanto menor, há menos capacidade de divi­são da célula, até que ela, por fim, morre. Os telômeros re­presentam a parte terminal dos cromossomos. Seu papel é pre­servar com a maior fidelidade possível o código genético.

"Com o passar do tempo e a divisão das células, os telôme­ros tendem a reduzir de tama­nho perdendo o efeito protetor do código genético", diz Antenio Herbert Lancha Jr, fisiolo­gista do laboratório de nutrição e metabolismo da escola de educacão física da USP.

Segundo ele, o encurtamento dos telôrneros faz com que a cé­lula perca suas características e uma das consequências é: o en­velhecimento dessa estrutura,

"O telômero mostra o grau de saúde da célula, quanto mais saudável, mais longe da morte. Essas células provavelmente vão envelhecer mais tarde", diz o fisiologista Paulo Zogaib, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

• Enzima

O estudo alemão mostrou que o exercício físico em atletas profissionais leva à ativação da enzima telomerase, responsá­vel por estabilizar o telôrnero.

"A importância desse achado é que, ao preservar a integrida­de dos telômeros, é como se es­tivéssemos preservando a nossa informação genética. Assim impediríamos que mudanças estruturais ocorressem, prevenindo algumas doenças como o câncer", diz Lancha Jr.

Para chegarem ao resultado, os pesquisadores compararam Ieucócitos (células do sangue) de quatro grupos de voluntá­rios. Um era composto por 32 corredores profissionais jo­vens, com idade média de 20 anos. Outro era formado por atletas profissionais mais velhos, com idade média de 51 anos, com um histórico de ati­vidade física regular.

Ambos foram avaliados e comparados com um grupo de pessoas saudáveis, não-fumantes, porém sedentárias, de vá­rias idades. Não houve grande diferenca no tamanho dos telômeros entre os atletas jovens e os sedentários jovens. Porém eles eram significativamente mais longos nos mais velhos.

A análise das amostras reve­lou uma ativacão da enzima te­lomerase nos atletas - nos jovens e nos mais velhos - em comparação aos sedentários.

Segundo os pesquisadores, a ativação da enzima telomerase, a longo prazo, diminui o encur­tamento dos telômeros.

Para os autores, os dados melhoram o entendimento molecular dos efeitos protetores do exercício sobre doenças relacionadas ao envelhecimento.

"As células têm apoptose, a morte programada, e o estudo reforça que outros fatores podem alterar essa programação, como hábitos de alimentação e atividade física", diz Zogaib.

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