Fibra reduz circunferência abdominal


Estudo relaciona ingestão diária de grandes quantidades de fibras com a diminuição de fatores de risco cardiovascular. Consumo de mais de 10g por dia foi relacionado a uma redução de 0,08 cm no tamanho da barriga dos voluntários a cada ano.

Jornal Folha de São Paulo - por Gabriela Cupani

A ingestão de grandes quan­tidades de fibras diariamente pode ajudar a prevenir o ganho de peso e o aumento da circun­ferência abdominal, conheci­dos fatores de risco cardiovas­cular. A conclusão é de um es­tudo holandês que acaba de ser publicado no "American Jour­nal of Clinical Nutrition".

Pesquisadores do National Institute for Public Health and the Environment avaliaram dados de quase 90 mil euro­peus com idades entre 20 e 78 anos. Todos os voluntários eram saudáveis e nenhum so­fria de males como câncer, doenças cardiovasculares ou diabetes no início do estudo. Os participantes foram acompa­nhados por seis anos e meio.

As informações sobre os há­bitos alimentares foram coleta­das usando questionários vali­dados em vários países. O obje­tivo era investigar a associação da ingestão total de fibras - considerando o consumo de cereais, frutas e vegetais - com mudanças no peso e na circun­ferência abdominal.

Segundo os autores, o consu­mo de fibras foi associado in­versamente com ganho de peso e aumento da cintura. A inges­tão acima de dez gramas por dia foi relacionada a uma redução de 0,08 centímetros na circun­ferência abdominal a cada ano. As fibras provenientes dos ce­reais foram as mais relaciona­das à diminuição da barriga, "As fibras estimulam os hor­mônios da saciedade", explica o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Bra­sileira de Nutrologia. Isso dimi­nui a ingestão calórica total, promovendo a perda de peso. A reducão da circunferência ab­dominal é uma consequência.

Os especialistas apontam, ainda, outro benefício das fi­bras. "Sabe-se que as fibras ajudam a controlar a glicemia e o colesterol e isso ajuda a reduzir a gordura abdominal", completa o cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni, do Hospital do Coração, em São Paulo. A gordura abdominal é a mais re­lacionada às doenças cardiovasculares por ser considerada mais aterogênica - tem mais facilidade de se depositar na parede das artérias.

As fibras são nutrientes pre­sentes nos vegetais que resis­tem à digestão e à absorção no intestino. Elas podem ser de dois tipos: solúveis e insolúveis. As primeiras, encontradas em legumes, aveia e frutas como a maçã, formam um gel em con­tato com a água, aumentando a viscosidade dos alimentos. Elas são associadas à redução do co­lesterol e controle da glicemia.

Já as insolúveis, presentes nos grãos integrais, farelos e verduras, passam intactas pelo trato gastrointestinal, facilitan­do o trânsito intestinal. São mais relacionadas à prevenção de tumores. Atualmente, reco­menda-se a ingestão de 25 gra­mas de fibras todos os dias - o que equivalente a cinco por­ções diárias de vegetais.

• Medida da cintura

As últimas diretrizes brasi­leiras sobre obesidade estabelecem que a circunferência abdominal não pode passar de 102 cm em homens e de 88 cm em mulheres.

No Japão, esse limite é ainda mais estrito para os homens, que não podem ter mais do que 85 centímetros de cintura. Para as mulheres, o máximo é 90.

Uma campanha lançada pelo governo japonês pretende fis­calizar as medidas para dimi­nuir os problemas decorrentes do excesso de gordura. A medi­da da cintura costuma ser feita anualmente e, segundo uma lei de 2008, é obrigatória para quem já passou dos 40 anos.

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