Idiomas: o que houve de errado?


Anos de estudo não tiraram você do nível intermediário? Veja oito falhas cometidas por quem estuda um idioma.

Jornal Folha de São Paulo - por Cristine Cartacho

Alunos que estudam mas não praticam; cursos sem qualidade camuflados por boas aulas de­monstrativas; timidez na hora de praticar. Esses são alguns dos principais erros cometidos por quem está aprendendo uma nova língua segundo três especialistas procurados pela Folha.

• 1 - Quem compra cursos longos no exterior pode se arrepender

O melhor é fazer, antes de embarcar em um intercâmbio, uma pesquisa sobre a escola, sua reputação e sua metodologia. Nem assim é possível garantir satisfação. A solução pode ser fechar pacotes menores, experimentar um mês e, se a escola agradar, permanecer na instituição.

• 2 - Aulas uma vez por semana não são efeicientes

O ideal é aumentar a frequência, garantindo maior contato com o idioma. A procura por cursos que oferecem aulas uma vez por semana é alta em São Paulo. "Por esse motivo, alguns alunos se adaptaram e criaram uma disciplina maior no estudo individual", explica Cristina Shibuya, responsável pelo Departamento de Cursos Goethe-Institut São Paulo.

• 3 - Aulas demonstrativas nem sempre correspondem à realidade do curso

Algumas escolas se preparam para convencer o aluno a comprar um pacote de estudos. Vale participar dessas aulas, mas é mais importante avaliar o ambiente, o método e o conhecimento dos professores.

• 4 - Interrromper um curso pode fazer com que o aluno estacione ou regrida

Deixar a escola antes de completar as fases de estudo é um erro comum. Muitas vezes, quando volta, o aluno precisa retomar o módulo desde o início, o que o desestimula a estudar. Caso a interrupção seja inevitável, é importante continuar estudando sozinho, com exercícios disponíveis na internet, leituras e conversação com amigos que falam a língua escolhida.

• 5 - Não é possível aprender um idioma em 10 minutos diários

Esse é um mito criado em torno do ensino de línguas. Para domínio de um idioma, o estudante deve passar, por um processo de experimentação intensiva. "E preciso assimilar não só o idioma, mas a cultura relacionada a ele", explica Bráulio Rubio, técnico da área de idiomas do Senac-SP.

• 6 - Professores nascidos no país onde se fala a língua não são melhores

Ter aula com um professor estrangeiro pode ser bom para quem quer evitar a própria língua a todo custo. Mas, muitas vezes, o professor que não domina o português pode ficar limitado em discussões e esclarecimentos de dúvidas.

• 7 - Quem não pratica a língua esquece o que aprendeu

O nível de esquecimento dependerá do aluno, do tempo em que ficou sem praticar, do contato com o idioma no dia a dia. "Não é como andar de bicicleta. A língua enferruja, perde-se vocabulário", ressalta Flávia Romão, consultora pedagógica da UNS Idiomas. Por outro lado, quando a pessoa retoma os estudos, o aprendizado adquirido volta aos poucos.

• 8 - Quem não enfrenta a timidez também não desenvolve habilidade

O esforço de tentar se comunicar em outro idioma costuma despertar simpatia e respeito dos nativos da língua. Portanto, nada de ter medo na hora de falar. Errar é absolutamente normal. Somente a prática e o estudo garantirão o domínio da língua.

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