Intensidade é chave para queimar calorias


Alguns queimaram caloria por 14 horas após exercício.

Jornal Folha de São Paulo - por Gina Kolata

Dependendo de para quem você perguntar, a resposta será ou um dos grandes mitos do exercício, ou uma das grandes verdades não apreciadas: o corpo queima mais calorias depois da ginástica?

Ao longo dos anos, foram re­alizados diversos estudos com resultados mistos sobre o cha­mado efeito de queima poste­rior. A última conclusão saiu em um trabalho recente na revista "Medicine & Science in Sports & Exercise". Sua principal autora, Amy A. Knab, da Universidade Estadual Appalachian, na Caro­lina do Norte, diz que ele supera estudos anteriores por causa do seu projeto cuidadoso. A doutora Knab e seus colegas recrutaram dez homens de 22 anos a 33 anos, que concordaram em passar dois períodos de 24 horas em uma pequena câmara metabólica. Nem todos os ho­mens eram atletas, mas tinham de ser capazes de pedalar vigo­rosamente uma bicicleta.

Na primeira visita à câmara, os sujeitos tiveram de ficar perfeita­mente imóveis, sentados em uma cadeira e se movendo apenas para fazer as refeições, que eram enviadas através de uma com­porta estanque. À tarde, eles po­diam se alongar por dois minutos a cada hora. As 22h30, era hora de ir para cama, e, às 6h30 da manhã seguinte, eles eram despertados e podiam partir. Eles queima­ram, em média, 2.400 calorias em um dia totalmente sedentário.

A segunda visita à câmara foi dois dias depois. Era tudo igual, com uma exceção: às 11h da ma­nhã, os sujeitos pedalaram com alta intensidade uma bicicleta er­gométrica durante 45 minutos. O exercício em si queimou cer­ca de 420 calorias, segundo o re­gistro da doutora Knab e dos seus colegas. Mas o mais interessante foram as calorias queimadas depois. Nas 14 horas seguintes, os homens queimaram mais 190 calorias, aumentando o total de calorias queimadas em 37%. Knab suspeita que um dos mo­tivos de haver um efeito tão pro­nunciado foi a alta intensidade do exercício. Os sujeitos tiveram de pedalar a 70% do chamado VO2 máximo, a quantidade máxima de oxigênio que o corpo de uma pessoa pode absorver durante o exercício - esforço que os fazia respirar forte demais para con­seguir conversar. E eles tiveram de mantê-lo durante 45 minutos.

Um estudo diferente, também usando uma câmara metabólica, testou os efeitos "de exercícios moderados e não descobriu uma queima posterior. Esses sujeitos se exercitaram a 50% do VO2 má­ximo, um nível que ainda permite conversar. Claude Bouchard, um cientista do Centro de Pesquisa Biomédi­ca Pennington em Baton Rouge, Louisiana, juntamente com ou­tros pesquisadores, investigou o efeito do exercício usando uma boqueira e um clipe no nariz ou um capuz ventilado para deter­minar o consumo de oxigênio e o dióxido de carbono exalado. Eles descobriram que quan­do se fazem estudos da maneira adequada calorias extras só são queimadas nas horas posteriores ao exercício se os sujeitos se exer­citarem pelo menos com a mesma intensidade e duração que os es­tudados pela doutora Knab. Caso eles se exercitem com mais força, queimarão ainda mais calorias depois.

Um livro recente que o doutor Bouchard e um colega editaram comenta dois estudos. Os pesquisadores descobriram que se os sujeitos corressem a 70% de seu VO2 máximo ou pe­dalassem a 75% dele, poderiam queimar de 300 a 700 calorias ex­tras depois que o exercício termi­nasse, embora fosse raro atingir 700 calorias. Não está claro por que se quei­mam calorias extras depois de um período de exercício intenso, diz o doutor Bouchard. Parte do efeito pode ser devido ao metabo­lismo energético pós-exercício: vários hormônios continuam elevados, e o corpo usa mais gordura e menos carboidrato. E ca­lorias extras podem se queimar quando o corpo se reabastece de glicogênio, o açúcar armazenado nos músculos. Mas, de modo geral, o efeito continua sendo um mistério.

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