Ivestigador almeja explicar o complicado conceito de felicidade


Será que a importância da feli­idade é superestimada?

Jornal Folha de São Paulo - por John Tierney

Martin Seligman pensa que sim, posição que pode causar estranheza, já que ele é o funda­dor do movimento da psicologia positíva, Como presidente da As­sociação Psicológica Americana o final dos anos 1990, Seligman criticou seus colegas por focarem constantemente sobre as doen­ças mentais e outros problemas. Ele os incentivou a estudar as ale­grias da vida e, em 2002, escreveu um best-seller intitulado "Felici­dade Autêntica".

Hoje, porém, ele lamenta esse título, A medida que o estudo da felicidade avançou, Seligman começou a enxergar limitações do conceito. Por que casais con­tinuavam a ter filhos, apesar de os dados mostrarem que os pais são menos felizes que os casais sem filhos? Por que os bilionários buscavam ganhar mais dinheiro, mesmo quando não havia nada que quisessem fazer com ele?

E por que alguns insis­tem em jogar bridge cons­tantemente, mesmo sem sentirem alegria com isso? Se­ligman, ele próprio jogador inve­terado de bridge, observava que havia jogadores que nunca sor­riam. Eles não jogavam para ga­nhar dinheiro, fazer amizades ou se sentirem engajados em algo. "Eles queriam ganhar por ganhar, mesmo que is­so não lhes proporcionasse emoção positiva", diz Selig­man. "Observando-os jogar, vendo-os trapacear, eu percebia que a realização é uma aspiração humana por si só."

Esse sentimento de realização contribui para o que os gregos antigos chamavam "eudaimo­nia", que pode ser traduzido apro­ximadamente como "bem-estar" ou "vicejar". O movimento da psicologia po­sitiva inspirou esforços em todo o mundo para estudar o estado de espírito das pessoas. É o caso de um projeto lançado no Reino Uni­do para medir o que o primeiro­ ministro, David Cameron, chamade GWB ou "general well-being" (bem-estar geral). Seligman diz que fica satisfeito por ver gover­nos medindo mais do que apenas o PIB, mas que receia que essas pesquisas perguntem às pessoas principalmente sobre sua "satis­fação com a vida".

Teoricamente, a satisfação com a vida poderia incluir os vários ele­mentos do bem-estar. Na prática, porém, diz Seligman, as respostas que as pessoas dão a essas pergun­tas são determinadas em grande medida - mais de 70% - por como estão se sentindo no momento da pesquisa, e nãopor como avaliam suas vidas de modo geral.

O que deveria ser medido, en­tão? A melhor medida até agora do vicejar, diz Seligman, vem de um estudo feito em 23 países europeus por Felicia Huppert e Timothy So, da Universidade de Cambridge. Além de perguntar aos participantes sobre seus es­tados de ânimo, os pesquisadores indagaram sobre seus relaciona­mentos com outras pessoas e sua sensação de estarem realizando algo que valia a pena. Dinamarca e Suíça apresenta­ram os resultados mais altos, com mais de um quarto dos cidadãos na definição de vicejar. Mais per­to do fim da escala, com menos de 10%, estavam França, Hungria, Portugal e Rússia.

Seligman se recorda de seus primeiros experimentos que identificaram o conceito da "im­potência aprendida". Quando recebiam uma série de punições ou recompensas arbi­trárias, os animais e as pessoas paravam de tentar realizar qualquer coisa construtiva.

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