Malhar reduz risco cardíaco mesmo para os gordinhos


Efeito, embora menor que o de emagrecer e fazer exercício, é significativo. Pesquisa americana acompanhou 3.000 pessoas na casa dos 40; ser "gordinho ativo" seria meta mais realista.

Jornal Folha de São Paulo - por Reinaldo José Lopes

Emagrecer traz benefícios óbvios à saúde, mas gordi­nhos fisicamente ativos tam­bém têm boas chances de evi­tar os problemas cardiovasculares normalmente asso­ ciados ao excesso de peso. A boa notícía está em pes­quisa no "Joumal of the Ame­rican College of Cardiology". Se os dados levantados no es­tudo estiverem corretos, eles ajudarão a esclarecer uma dúvida que ainda divide os especialistas.

A questão é saber até que ponto um estilo de vida ativo é capaz de proteger alguém dos problemas de saúde liga­dos à obesidade. Alguns trabalhos indica­vam que o exercício poderia praticamente eliminar esses riscos, enquanto outros di­ziam que o excesso de peso é o fator preponderante, mes­mo se a pessoa se esforça pa­ra não ser sedentária. Parte da dúvida parece es­tar ligada ao fato de que a maioria desses estudos leva­va em conta a saúde cardio­vascular dos pacientes em um único ponto do tempo. Fi­cava difícil saber como os efeitos do exercício e do peso afetavam o organismo das pessoas a longo prazo. Para preencher essa lacu­na, uma equipe da Universi­dade da Carolina do Sul, lide­rada por Duck-Chul Lee, ob­teve os registros médicos de mais de 3.000 pacientes (em geral, na casa dos 40 anos) da clínica Cooper, no Texas. Esses pacientes faziam check-ups na clínica, com in­tervalos de dois ou três anos entre cada avaliação médica. Na maior parte dos casos, os pesquisadores conseguiram avaliar o estado de saúde dos pacientes ao longo de três check-ups consecutivos.

• Síndrome

O objetivo era verificar co­mo e quando os membros do grupo desenvolviam a cha­mada síndrome metabólica, um conjunto de característi­cas (como pressão alta e tri­glicérides em nível elevado) diretamente ligado ao surgimento de doenças do coração e diabetes, por exemplo. Lee e companhia verifica­ram que pouco mudava do primeiro check-up para o se­gundo. A maioria dos pacien­tes ganhou peso, mas ne­nhum desenvolveu a temida síndrome metabólica. Do segundo para o tercei­ro check-up, o problema apa­receu no grupo testado. Quem tinha se exercitado me­nos e ganhado peso, obvia­mente, tinha risco aumenta­do (71%) de ter a síndrome. Contudo, quem engordava mas continuava fisicamente ativo corria risco 22% menor do que o grupo dos gordinhos inativos. E não era preciso melhorar o condicionamen­to físico nesse período. Bas­tava mantê-Ia para ter algu­ma proteção. "Existe uma tendência de ressaltar a necessidade de perder peso, mas emagrecer em geral é difícil. Manter-se ativo é tão importante quan­to perder peso e é uma meta mais fácil de atingir", diz Lee.

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