Melhor ser lento do que esperto


Quem aprende rápido demais também pode esquecer muito rápido...


Revista Época Negócios 

Um aluno com facilidade e rapidez de aprendizado costuma ser um sucesso entre pais e mestres, e portanto uma pessoa com um bom reforço de autoestima. Mas provavelmente foi o coleguinha mais lento quem realmente aprendeu a lição. A diferença pode ser resumida por uma frase de Abraham Lincoln, que chegou à presidência dos Estados Unidos como um autodidata erudito, mas não brilhou na escola: "Eu sou lento para aprender,. mas também lento para esquecer o que aprendi".

O jornalista e publicitário britânico lan Leslie trata desse assunto no livro Curious ("Curioso"). Segundo experimentos de cientistas cognitivos citados por Leslie, os alunos que "pegam no ar" uma informação não só aprendem superficialmente como têm dificuldade em relacionar esse conhecimento com outros.

Num estudo empírico da Universidade da Califórnia, um texto foi passado para alunos de uma classe para que o lessem e , memorizassem. Antes da leitura, um grupo ouviu um resumo do conteúdo na ordem em que estava no texto. Outro grupo recebeu as mesmas informações, mas em ordem diferente. Na hora de repassar o que havia lido, o segundo grupo demonstrou uma compreensão maior e mais aplicável à solução de problemas.

Resultados semelhantes foram alcançados com grupos de leitores submetidos a textos com letras difíceis de ler ou a ambientes barulhentos. A conclusão é que esses obstáculos levam as pessoas a aumentar a "amplitude de percepção". Um cientista cognitivo chamou isso de "dificuldades necessárias".

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