Música estimula criatividade


Música estimula os dois lados do cérebro e facilita a solução de problemas.

Revista Scientific American

Os músicos pensam de um jeito diferente do resto dos seres humanos. Essa é a conclusão de psicólogos da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de comparar o cérebro de instrumentistas com o de leigos em matéria musical.

Usando técnicas de neuroimagem, eles mostraram que músicos profissionais (com mais de oito anos de experiência) tendem a usar, de forma simultânea, os dois hemisférios cerebrais com mais freqüência que os demais mortais, nos quais a atividade neural sempre é maior em um dos lados da cabeça. O experimento foi conduzido enquanto os músicos realizavam tarefas propostas pelos pesquisadores, como encontrar novas utilidades para objetos domésticos (panelas e saca-rolhas, por exemplo). Além de sugerir um número maior de soluções, eles também levaram a melhor em testes de associação de palavras.

Como vários outros estudos já demonstraram, a música estimula o desenvolvimento cognitivo, mas ainda não está claro quais são as diferenças funcionais do cérebro dos seus praticantes. Segundo os autores, a semelhança no nível de atividade dos dois hemisférios poderia ser conseqüência do uso simultâneo e independente das mãos, necessário para tocar praticamente todos os instrumentos musicais.

Constatou-se também que a comunicação mais intensa entre os dois lados do cérebro facilita o pensamento divergente - método de raciocínio não-estruturado geralmente observado em pessoas mais criativas. Os autores acreditam que essa habilidade, adquirida ao longo da educação e da prática musical, tenha a ver com o fato de essas pessoas terem aprendido a integrar ritmo, melodia e harmonia (o que exige mais do hemisfério esquerdo) com sua própria interpretação e execução (hemisfério direito). Para aumentar a frustração de quem não é capaz de tocar instrumento algum, o estudo mostrou ainda que o quociente de inteligência (QI) dos profissionais foi mais alto que o dos não-músicos. O estudo foi publicado na revista Brain and Cognition.

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