Neurônios novatos


Scientific American

Desde a surpreendente descoberta, em 1998, de que as pessoas são capazes de criar novos neurônios mesmo em idade avançada, pesquisadores investigam como essas células se integram às redes neurais existentes sem causar interferência. Estudos em embriões de roedores e macacos sugeriram que o neurotransmissor GABA, que normalmente inibe o disparo neuronal, talvez atue para ativar as novas células.

Seguindo essa pista, um grupo da Universidade Johns Hopkins começou a pesquisar uma região do hipocampo chamada giro dentado. Valendo-se de uma estratégia comum para identificar novas células cerebrais, os cientistas introduziram em camundongos um retrovírus que faz com que os neurônios em divisão adquiram a cor verde fluorescente. Eles então mediram a resposta dessas células a diferentes neurotransmissores.

No início, os novos neurônios eram sensíveis ao GABA que havia se difundido no espaço entre as células. Depois de uma semana, os novatos se conectaram a neurônios já existentes, que transmitiam GABA por meio de pulsos. Mais uma semana e as células formaram conexões para receber o neurotransmissor glutamato, o principal estimulador de células cerebrais mais velhas. "Os resultados indicam que, apesar das diferenças entre embriões e adultos, os neurônios recém-formados precisam seguir essa seqüência", diz o diretor do Instituto Mediterrâneo de Neurobiologia, Yehezke Ben-Ari.

Aparentemente, um excesso de íons clorídricos no interior das células jovens é responsável pela sua ativação por meio do GABA. Neurônios com falta de íons clorídricos, criados artificialmente, apresentaram um atraso de duas semanas para desenvolver conexões e depois morreram. Segundo Hongjun Song, da Johns Hopkins, a equipe planeja testar se a aplicação de GABA em células-tronco na hora certa e na dose apropriada pode ajudar a reparar lesões do sistema nervoso central.

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