Nova dieta mediterrânea abrasileirada ajuda o coração


Ao diminuir os níveis de gordura, nova dieta desenvolvida por médicos protege o coração e emagrece.

Jornal Folha de São Paulo - por Mariana Versolato

Uma dieta mediterrânea à brasileira, que substitui atum, castanhas e azeite ex­travirgem por alimentos ba­ratos e acessíveis no país, co­mo sardinha, milho, sopa de feijão e tapioca. Esse é o pro­jeto do HCor (Hospital do Co­ração), em parceria com o Mi­nistério da Saúde.

A ideia é lançar no país uma dieta com alimentos de baixo custo e presentes na roina dos brasileiro para a prevenção de doenças cardio­vasculares em pessoas que já tiveram infarto ou derrame ou que correm maior risco de sofrê-los por causa de hiper­tensão e colesterol alto.

Da primeira fase do proje­to, que avaliou a efetividade da dieta, participaram 120 pessoas cardíacas do Rio de Janeiro e de seis cidades de São Paulo (incluindo a capi­tal), durante oito semanas. Metade recebeu as orienta­ções de praxe que são dadas após um evento cardiovascu­lar, como diminuir a quanti­dade de gorduras saturadas (presentes na carne verme­lha, por exemplo).

A outra metade seguiu o material educativo e o cardá­pio do projeto, os quais clas­sificam os alimentos com as cores da bandeira nacional: verde, amarelo e azul. A escolha não é à toa: os participantes foram instruí­dos a montar os pratos de acordo com a predominância dessas cores na bandeira.

Ou seja, a dieta recomenda alimentos verdes (ricos em vi­taminas, minerais e fibras), menor proporção de alimen­tos amarelos (com quantida­ de considerável de gordura saturada) e uma quantidade menor ainda de alimentos azuis, que contêm mais gor­dura, sal e açúcar.

"Usamos um aspecto lúdi­co e critérios factíveis para fa­cilitar a adesão à dieta. Inde­pendentemente do grau de instrução, a pessoa vai iden­tificar o que é bom e qual a quantidade indicada", diz Bemardete Weber, coordena­dora da pesquisa do HCor. Ela afirma que, se os ali­mentos recomendados forem muito diferentes do que a pessoa come normalmente,
é difícil aderir às mudanças.

• Resultados 

Segundo ela, os níveis de colesterol dos participantes que seguiram a dieta cardio­ protetora diminuíram. Em estudo no "Journal of the American Medical Asso­ciation", ações que reduzem colesterol e pressão arterial já são suficientes para mudar índices de mortalidade por doenças cardiovasculares.

Weber cita outro resultado positivo: os pacientes tam­bém perderam peso, já que as dietas e as quantidades das calorias diárias foram ade­quadas para pacientes com sobrepeso ou obesidade.

A segunda fase do estudo é mais ambiciosa: vai envol­ver cerca de 2.000 pessoas em todo o país, e, mais importan­te, vai elaborar diferentes die­tas respeitando as variações regionais de cada Estado. Segundo Weber, isso pode incluir castanhas no Norte, suco de uva no Sul e feijão­ verde no Nordeste.

Os participantes não serão apenas cardiopatas, mas tam­ bém pessoas com risco maior risco de ter um problema cardíaco.

• A dieta

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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