O alto custo de se apegar às coisas


Raramente consideramos o que possuímos.

Jornal Folha de São Paulo - por Carl Richards 

Quando um homem cha­mado Andrew Hyde iniciou sua aventura minimalista, ele só tinha 15 coisas. Depois foi a 39 e agora possui umas 60. Tuhdo começou quando ele decidiu fazer uma viagem ao redor do mundo e vender tudo de que não precisasse. Como observou Hyde no seu blog, isso mudou a sua vi­da, após um breve período de perplexidade: "Quando éramos crianças, não tínhamos todos o objetivo de uma casa enorme cheia de coisas? Eu encontrei muito mais qualidade de vida ao rejeitar as coisas como indi­cador de sucesso."

Ao topar com essa história de só ter 15 itens, fiquei tão inspirado que fui imediata­mente para casa e achei 15 coisas para dar. A maioria eram roupas que eu deixara de usar já fazia muito tempo, mas que mantive porque... bom, porque sim. Ainda tenho mais do que 39 coisas, mas me livrar de algumas delas foi uma sensação incrível. 

E percebi o quanto reter essas coisas na verdade me custava. Eis o paradoxo. Se conservamos coisas que não queremos ou não usamos mais, isso de fato nos custa algo a mais, nem que seja o tempo gasto organizando-as e contemplando-as. Nem sei quantas vezes pen­sei em me livrar daquela gra­vata ou daquele sapatos, que nunca usei (por exemplo).

Embora o caso de Hyde seja extremo, me peguei pen­sando:

- Por que exatamente você tem o que tem? 
- Do que poderia se livrar sem sentir falta?
- Ainda preciso aisso? 
- Quanto está me custando possuir isso?

Talvez o apego às coisas ve­nha em parte da noção de que precisamos estar preparados para tudo.

Quando David Friedlander entrevistou Hyde sobre seu projeto, ele destacou a seguin­te questão: raramente consi­deramos como é insignifican­te a consequência quando nos falta algo ou ficamos despreparados. Nem consideramos como é alta a consequência de estarmos preparados demais. Tal consequência, frequen­temente, vai além do custo financeiro.

Ela pode facilmente acar­retar um custo físico que não esperamos, pela necessidade digamos, de mais espaço para guardar tudo. De certa forma, tudo isso retoma a noção de comprar coisas boas e conservá-Ias por muito tempo.

Talvez seja útil pensar: "Tenho espaço - físico, emo­cional, mental - para trazer mais uma coisa para a minha vida?".

Se a ideia de reduzir suas posses lhe for tão tentadora quanto assustadora, comece simples:

1. No fim de cada estação, reveja suas roupas. Se você não usou uma peça ao menos uma vez, livre-se dela.
2. Este processo vai gerar uma pilha de coisas. Pelo que vale, não tente vender tudo no eBay. É mais um gasto (de tempo).

Então, se poupe da dor de cabeça, doe para uma insti­tuição de caridade e receba o crédito tributário.

Você não precisa se res­tringir a 39 bens para sentir o impacto. Em vez disso, o objetivo do exercício é ter clareza sobre por que você possui o que pos­sui e o que exatamente isso
pode lhe custar.

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