O nosso corpo e as grandes perdas de peso


Jornal Folha de São Paulo

A cirurgia bariátrica reduz o peso de obesos mórbidos, mas deixa algumas cicatri­zes no caminho de recuperação do paciente. São as cicatrizes das ope­rações para melhorar o con­torno corporal nas grandes perdas de peso. A cirurgia plástica corrige as deformidades resultantes do excesso de pele, flacidez de mamas (nas mulheres) e de braços e da possível ptose (queda) das nádegas.

O médico Fernando Sanfe­lice André, de Joinvile, Santa Catarina, assinala, em estu­do publicado na Revista Bra­sileira de Cirurgia Plástica, a melhora na qualidade de vida e os resultados estéticos e funcionais satisfatórios em operações plásticas realizadas um ano depois que esses pacientes apresentaram grande perda ponderal (de peso) relacionada ao exces­so de gordura em seus corpos.

O especialista destaca, en­tretanto, que o tratamento ci­rúrgico dos ex-obesos é mais complexo do que pode pare­cer inicialmente. Eles constituem um novo grupo, totalmente diferente dos pacientes que usualmen­te procuram a maioria dos consultórios das clínicas de cirurgia plástica. Alguns apresentam anemias crônicas, outros têm ní­veis anormais de proteínas no sangue ou falta de vitaminas e, eventualmente, maior san­gramento nas operações. Por esses motivos, André destaca a necessidade de criterioso exame pré-operatório nessa segunda etapa do tra­tamento da perda de peso, para afastar o risco de com­plicações no pós-operatório da plástica.

As complicações e intercor­rências observadas, entre ou­tras, são os seromas (presen­ça de líquido exsudativo na plástica do abdome), hema­tomas no abdome ou na mama, deiscência (abertura es­pontânea da sutura da pele) e trombose venosa. Conclui em seu trabalho Fernando Sanfelice André que o cirurgião plástico que se dedicar a esse novo cam­po de atuação deve dominar todas as técnicas e táticas cirúrgicas e saber lidar com as eventuais complicações e in­tercorrências.

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