O om profundo e a atividade neuronal


Anos de prática de meditação podem influir na eficiência das células nervosas.

Revista Scientific American

Paz interior e serenidade, quem não deseja isso nos dias de hoje? O caminho escolhido por muitos para conquistá-la é a meditação. Mas a comunhão com o mundo e consigo mesmo precisa ser aprendida e só é possível, quando dá certo, após instruções e treino intensivo. Questiona-se se o efeito da meditação profunda pode ser apreendido também cientificamente.

Na tentativa de responder a essa pergunta, um grupo de pesquisadores liderado por Antoine Lutz, da Universidade de Wisconsin, EUA, viajou para o Nepal. Lá eles puderam medir com um eletroencefalograma as ondas cerebrais de oito monges voluntários de um mosteiro budista em Katmandu.

Enquanto os experientes ascetas mentais se transportavam para um "estado de absoluto bem-estar e empatia", os lentos padrões de sua atividade cerebral - típicos sinais de tranquilidade espiritual - davam lugar a cada vez mais ondas gama de alta frequência. Essas ondas normalmente indicam grande concentração e esforço cognitivo.

Diferentemente, os novatos do grupo de controle, constituído por alunos de um curso zen intensivo com duração de uma semana, tiveram uma forte queda na atividade gama durante o mergulho espiritual.

Não é de admirar, portanto, que meditadores versados tenham maior facilidade de introspecção. Mas, para espanto dos pesquisadores, os neurônios dos budistas continuaram trabalhando em acelerada sintonia mesmo depois de saírem do estado meditativo - isso se verificou principalmente nos lobos frontal e parietal do cérebro, importantes para o raciocínio e a representação mental. E nas fases de concentração, o concerto das ondas gama tornava-se ainda mais ruidoso.

A conclusão dos autores do trabalho foi que a meditação, após vários anos de prática, pode ter grande influência sobre a eficiência neuronal. Lutz e seus colegas pretendem agora descobrir se outras técnicas mentais, como a concentração sobre um objeto determinado ou um mantra, deixam marcas semelhantes na atividade cerebral elétrica.

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