Ocupado ou produtivo


A tendência a se mover a qualquer custo é humana, mas nem sempre lógica.


Revista Época Negócios - por Márcio Ferrari

Na hora de tentar defender um pênalti, apenas 6,3% dos goleiros param no centro do gol. Mas são esses os que mais conseguem impedir que a bola entre: 33,3%, ante 12,6% dos que pulam para a direita e 14,2% dos que pulam para a esquerda. Por que tão poucos ficam parados? Porque são movidos pela tendência à ação que guia o comportamento humano, segundo a psicóloga Francesca Gino, da escola de negócios da Universidade Harvard. "Os jogadores se sentem melhor ao perder o penâlti depois de saltar para o lado errado do que ao passar a suposta vergonha de ver a bola passando sem ter feito um movimento", diz ela.

Nos nos sentimos propensos a fazer qualquer coisa, mesmo quando não sabemos exatamente o quê. Mais uma tendência humana, espécie de outro lado da mesma moeda, é evitar os momentos ociosos, ainda que seja para fazer algo sem sentido - é o caso de pegar um caminho mais longo e demorado para não ficar preso no trânsito. Atire a primeira pedra quem pelo menos não cogitou fazer isso alguma vez. Esses são alguns dos motivos que nos fazem estar sempre, ou quase sempre, nos dizendo ocupados, embora isso nem sempre signifique produtividade - às vezes a relação entre as duas coisas é claramente inversa. A tendência a ocupar-se muito e refletir pouco é apenas isso, uma tendência, segundo a pesquisadora - e o melhor é reagir contra ela. Estudos que ela conduziu em ambientes de trabalho com um professor de negócios da Universidade da Carolina do Norte comprovaram: quem para e planeja antes de agir produz mais do que quem parte logo para a ação.

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