Para dias saudáveis, uma boa noite de sono


Descanso tido como inadequado resulta em quilos a mais.

Jornal Folha de São Paulo - por Jane E. Brody

Quando eu era maís jovem, considerava o sono um mal necessário, a maneíra de a natu­reza conter meu desejo de espre­mer o maior número possível de atividades em 24 horas. Minha negligência estava cobrando um pre­ço que eu não percebia totalmente. Eu adormecia, no balé e no teatro (meu marido chamava nossas noites no balé e no teatro de "os cochilos mais ca­ros de Jane"") e, por duas vezes, adormeci à direção, evitando desastres por pouco. Hoje, percebo que eu vivia em um estado de privação de sono crônica. Como revelaram pesquisas citadas na "New York Times Magazine", "as pessoas privadas de sono são péssimas juízas de nossas necessidades de sono. Não chegamos nem perto da atenção que pensamos ter".

Estudos demonstraram que as pessoas funcionam melhor depois de sete ou oito horas de sono. Por isso, minha meta pas­sou a ser dormir sete horas se­guidas, a quantidade associada ao menor índice de mortalidade. Mas, na maioria das noites, algo, parece interferir e me mantém acordada além do horário. Eu não sou a única. Entre 1960 e 2010, a noite de sono média para adultos nos EUA caiu de oito horas paa seis horas e meia. Alguns especialistas preveem um declínio continuado, graças à distrações como e-maíl e mensagens de textos e as compras on line.

A idade pode ter um efeito prejudicial sobre o sono. Em uma pesquisa feita em 2005 com 1.003 americanos de 50 anos oui mais, a Organização Gallup descobriu que apenas um terço dos adultos mais velhos tinha uma boa noite de sono todos os dias, menos da metade dormia mais de sete ho­ras, e um quinto dormia menos de seis horas.Com o avanço da idade, ocor­rem mudanças naturais na qualidade do sono. As pessoas podem demorar mais para dor­mir e tendem a ficar sonolentas mais cedo à noite e acordar mais cedo de manhã. Passa-se mais tempo nas fases leves do sono e menos no sono profundo restau­rador. O sono REM, durante o qual a mente processa emoções e memórias e alivia as tensões, diminui com a idade.

Os hábitos que prejudicam o sono muitas vezes acompanham o envelhecimento: menos atividade física, menos tempo passado ao ar livre (a luz do sol é o principal regulador corporal da sonolência e da vigília), menos cuidado com a dieta, a ingestão de remédios que podem perturbar o sono, cuidar de um cônjuge doente, ter parceiro que ronca. Alguns usam o álcool para induzir o sono; na verdade, ele parturba. Acrescente a essa lista questões de saúde que tiram o sono, como dores da artrite, diabetes, depressão, ansiedade apneia do sono, calores nas mulheres e aumenta da próstata nos homens.

E uma boa noite de sono é muito mais que um luxo. Ela beneficia a concentração, a me­mória em curto prazo, a produti­vidade, o humor, a sensibilidade à dor e a função imune. Mais sono pode até deixar as pessoas mais atraentes. Em um estudo publicado on-líne em dezembro na revista "British Medical Journal", pesquisadores na Suécia e na Holanda relata­ram que 23 adultos privados de sono pareciam menos saudáveis, mais cansados e menos atraen­tes do que depois de uma noite de sono. Perder o sono também pode engordar. Em um estudo de pesquisadores da Universidade Harvard envolvendo 68 mil mu­lheres de meia-idade acompa­nhadas durante 16 anos, as que dormiam cinco horas ou menos por noite tinham 2,4 quilos a mais e 15% maior probabilida­de de obesidade- do que as que dormiam sete horas por noite. Pesquisadores descobriram que os que dormem pouco têm níveis menores de leptina, que suprime o apetite, e níveis altos de grelí­na, que provoca um aumento no consumo de calorias.

Conclusão: resista à tentação de espremer mais uma coisa no seu dia. Se problemas de saúde perturbam seu sono, procure tratamento para atenuar seus efeitos. Se você tiver dificuldade para adormecer ou costuma acordar durante a noite, pode tentar tomar suplementos de melatonina, o indutor natural do sono. Eu tenho um vidro na minha cabeceira.

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