Pausas no estudo e memória


Pausas no estudo permitem melhor retenção das informações.

Revista Scientific American

Atitude comum entre os estudantes: deixar para estudar toda a matéria apenas um dia (ou horas) antes da pro­va, acreditando que é possível aprender todo o conteúdo de
uma só vez. Uma pesquisa coordenada pelo neurobiólogo Yi Zhong, do Laboratório Cold Spring Harbor, em Nova York, constatou que pessoas que estudam por períodos mais longos, divididos por pausas, costumam obter me­lhores resultados. Quando nos concentramos por muito tempo em uma atividade, sem parar para descansar, há aumento dos níveis da enzima tirosina fosfatase SHP-2. Ela interfere no armazenamento de informações na memória.

Zhong usou moscas drosófilas (Drosophi/a melanogas­ter) em seus experimentos. Os insetos passaram por uma pequena mutação genética que aumentou a atividade da SHP-2. Em seguida, as mutantes, junto a moscas-controle, foram condicionadas a evitar determinados cheiros: foram expostas a um odor ao mesmo tempo que recebiam peque­nos choques elétricos, por um minuto. Na sequência, os dois grupos foram apresentados a outro cheiro, dessa vez sem eletrochoques, com intervalos de 15 minutos. No dia seguinte os cientistas testaram novamente os dois grupos de insetos diante do primeiro odor: o desempenho de memória das mutantes foi 50% pior do que o das moscas do grupo de controle. Por outro lado, quando o experi­mento foi repetido com o sistema de pausas, a diferença de desempenho foi menor: em pausas de 40 minutos, os insetos manipulados geneticamente tiveram reações equi­valentes às das moscas normais.

Quando os neurobiólogos bloqueavam artificialmente a enzima SHP-2 nos animais modificados, estes passavam a ter desempenho igual ao do grupo de controle. Concluíram, pois, que a enzima desencadeia reações bioquímicas nas células neurais. Esse tipo de célula precisa se readaptar antes de iniciar a próxima etapa do aprendizado. A SHP-2 manipulada retardaria esse processo, diminuindo assim a capacidade da memória - pausas no estudo poderiam administrar níveis elevados dessa enzima e "dar tempo" às células neurais.

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