Pré-graduação: experiências em universidades internacionais


Estudantes brasileiros do ensino médio buscam experiências em universidades internacionais, onde vivem como acadêmicos e testam sua vocação profissional.

Jornal Folha de São Paulo - por James Cimino

Engenharia no ITA, medi­cina na USP ou astronomia em Harvard? A última opção foi a escolha de Igor Rosiello Zanker, aluno do terceiro ano do ensino médio do colégio
Augusto Laranja.

Com apenas 17 anos, Zan­ker ganhou um prêmio de ex­celência acadêmica na esco­la e foi agraciado com um curso de verão de sete sema­nas, no valor de US$ 11 mil, na conceituada universidade americana.

Esse tipo de curso de pré­-graduação, em que estudan­tes do ensino médio têm uma amostra do que é a vida aca­dêmica em grandes universi­dades no exterior, não está
disponível só para alunos aplicados como Zanker.

O Centro de Aconselha­ mento da Associação Alumni oferece orientação e acompa­nhamento a pais e alunos que queiram ter esse tipo de experiência no exterior.

E há cursos de todo o tipo. Na Brown Universtity, por exemplo, há cursos on-line, como o "So You Want to be a Doctor?" ("Então você quer ser médico?"), no valor de US$ 2.275, no qual um profes­sor dá esclarecimentos sobre o exercício da profissão. - Também na Brown, há os cursos presenciais, em que o aluno do ensino médio pode analisar a estrutura do DNA, estudar células-tronco, artes, história ou arqueologia.

Enquanto os cursos acon­tecem, os alunos experimen­tam outros aspectos da vida acadêmica. Vivem em aloja­mentos, praticam esportes e têm de seguir as regras dos campi universitários.

Quando viveu no campus de Harvard, Zanker presen­ciou a expulsão de "todo o terceiro andar" de seu aloja­mento por consumo de bebi­da e drogas. Ele mesmo teve uma suspensão por barulho em horário inapropriado.

"Tínhamos que voltar ao alojamento às 21h e não mais sair após esse horário duran­te três dias. E lá não tem ne­gociação. É punição." Há também atividades re­creativas, como na Columbia University, que oferece pas­seios turísticos por Nova York, shows de talentos e até concursos de dança.

Segundo Thais Burmeister C. Pires, gerente do centro de aconselhamento da Alumni, além dos cursos de férias, ainda há os tradicionais in­tercâmbios por um período de seis meses a um ano e, também, cursos de aperfei­çoamento da língua inglesa.

Pedro Henrique Ramos Fi­gueiredo, 16, aluno do se­gundo ano do ensino médio, lapidou seu inglês na Univer­sity of California Riverside. Ao contrário de Zanker, que passará pelo processo seletivo de Harvard, Figuei­redo quer estudar no Brasil mesmo. "Meu amigo que faz "high school" lá fora me disse que, o conteúdo de matemá­tica deles, ele já tinha visto todo aqui."

• Puxado

Não é essa a impressão do conterrâneo que esteve em Harvard para cursar duas disciplinas: introdução à as­tronomia e matemática. Igor Zanker, que se expres­sa com a desenvoltura de um adulto, participa de olimpía­das de física e é capaz de discorrer sobre a teoria da maté­ria escura, achou o curso muito difícil.

"Não bastava assistir à au­la. Quando vi que teria aulas em apenas três dias da sema­na, achei que ia ter tempo li­vre, mas descobri que esse tempo "livre" era gasto fazendo exercícios. Só no curso de matemática, gastava 12 pági­nas de caderno por aula."

© Copyright 2020 - Todos os direitos reservados à Methodus