Primeira Tarefa Pós-Diploma: se Vender


Folha de S.Paulo por Phyllis Korkki.

Recém-formados precisam “levar o seu melhor jogo” para o mercado de trabalho, ensina Katharine Brooks, diretora de serviços das carreiras de artes liberais da Universidade de Texas, Austin, e autora de um guia de carreiras chamado “You Majored in What?” (Você se graduou em quê?). Isso significa, por exemplo, que seu curriculo, sua carta de apresentação e sua entrevista têm de ser excelentes, segundo ela.

Acima de tudo, “saiba articular o valor do seu diploma”, disse ela, especialmente se não há uma relação direta entre a sua área de graduação e o emprego que está pleiteando.

Veja ocaso de um bacharel em filosofia. Não há muitos empregos para filósofos. Mas as pessoas usam a lógica para formular e pesar ideias e chegar a conclusões, o que pode tornar a formação em filosofia muito efetiva no mundo empresarial, disse Brooks. Saber explicar isso concretamente, com exemplos específicos, seria crucial para ser contratado.

Já a compreensão da condição humana obtida pela alta literatura pode ser útil em profissões como a de assistente social, explicou Brooks.

Além do seu diploma, tenha histórias para contar sobre como as suas experiências fariam de você um bom empregado, sugeriu Nathan Bennett, coautor de “Your Career Game” (O jogo da sua carreira) e professor da Faculdade de Administração da Universidade Georgia Tech.

E não precisa ter experiência profissional. Quem foi monitor de acampamento, por exemplo, terá histórias de liderança para contar, disse ele.

Brooks recorre à teoria do caos como metáfora para o processo de busca de emprego: “E um mundo complexo, em que você não pode prever tudo, então nem tente”. Quando estiver começando no mercado de trabalho, “procure oportunidades de aprender, se arrisque, experimente as coisas, veja o que gosta e sempre esteja aberto à próxima oportunidade”, disse ela.

Se você não gostar do seu primeiro emprego, pelo menos terá aprendido do que não gosta e poderá levar esse conhecimento para o emprego seguinte, afirmou Brooks.

Os recém-formados podem ser presas de uma paralisia se não tiverem certeza do rumo a tomar, disse Bennett. Quem mal passou dos 20 anos tem muito tempo para arriscar. Afinal, sua vida profissional ainda deve durar o dobro da sua idade atual, ponderou ele.

Quem tem pouca ou nenhuma experiência profissional pode se perguntar o que tem a oferecer em relação a um candidato mais experiente. Recém-formados custam menos, e isso é uma vantagem (para o empregador, mas não para o bolso do recém-formado).

Mas, acima de tudo, as empresas recrutam recém-formados como um investimento, disse Dan Black, diretor para Américas do recrutamento em campi da Ernst & Young.

Os mais jovens, afirmou ele, tendem a ter um maior domínio das últimas tecnologias, foram expostos a uma maior diversidade cultural e estão usando a web e outras tecnologias para se conectarem globalmente.

Somem-se a isso a energia e o entusiasmo que os recém-formados costumam possuir, e seu valor fica claro.

Como diz Brooks: “Eles podem não ter experiência, mas o que têm é potencial”.

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