Professores de qualidade


Combinar as informações objetivas e as subjetivas é forma eficaz de identificar os melhores profissionais.

Jornal Folha de São Paulo - por Fernando Veloso

Nos artigos anteriores, argumentei que uma boa gestão e políticas espe­cificas para escolas e alunos com pior desempenho são elementos im­portantes de uma estratégia eficaz para melhorar a educação no Brasil.

O terceiro componente da estra­tégia é formar, selecionar e reter professores de qualidade. No Brasil, somente 62% dos pro­fessores da educação básica pos­suem nível superior completo com li­cenciatura, que representa a forma­ção adequada para lecionar nesse nível de ensino, segundo a Lei de Di­retrizes e Bases da Educação. Além disso, existe um descom­passo significativo entre a formação do professor e a disciplina que lecio­na, tanto nas séries finais do ensino fundamental quanto no médio.

Um primeiro passo para reverter esse quadro é estabelecer de forma clara o conjunto de competências que professores devem adquirir pa­ra que sejam atingidas as metas de aprendizagem dos alunos, e alinhá-lo com os programas de formação inicial e continuada de docentes.

Estudos recentes, como "Subjec­tive and Objective Evaluations of Teacher Eftectiveness", de Rockoft e Speroni, mostram que a combina­ção de informações objetivas e sub­jetivas sobre o desempenho dos professores pode ser eficaz para identificar docentes de qualidade.

Um indicador objetivo, que tem sido crescentemente utilizado em outros países, é o valor adicionado do professor, medido como sua con­tribuição para a elevação da nota do aluno em exames padronizados. Nos Estados Unidos, por exem­plo, o governo federal fornece recursos para Estados que adotam medidas de valor adicionado como um elemento de seus sistemas de ava­liação de professores.

O uso dessas medidas seria um componente importante de uma po­lítica de avaliação de professores no Brasil. Para isso, é necessário criar bases de dados que associem o desempenho dos alunos ao de seus professores. Essas medidas objetivas devem ser complementadas por avalia­ções subjetivas por parte de direto­ res e examinadores externos.

Uma vez criada uma forma de avaliar a qualidade do professor, é preciso recompensar o professor com bom desempenho. Algims Estados, como São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais e, mais recentemente, Rio de Janeiro, criaram metas para cada escola públi­ca e premiam os professores com base no grau de cumprimento des­sas metas.

Em 2009, o governo de São Paulo criou um programa de progressão na carreira que depende do desem­penho do professor em exames. A avaliação dessas iniciativas se­rá importante para que outros Esta­dos e municípios possam escolher o modelo mais adequado. 

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