Relaxamento Radical


Tipo de ioga que busca relaxamento profundo usa menos exercícios do que as modalidades tradicionais.

Jornal Folha de São Paulo - por Iara Biderman

Nada de posições es­petaculares, ficar de cabeça para baixo ou enormes estiramentos dos músculos. Na técnica da ioga nidra, o corpo quase não se mexe. O objetivo é atingir um relaxamento profundo e um es­tado de consciência semelhan­te à fase em que a pessoa está entre a vigília e o sono.

Segundo Anderson Allegro, diretor da escola Aruna Yoga, em São Paulo, a técnica favore­ ce a reeducação do sono, além de desenvolver a concentração e estimular a criatividade.

Allegro conta que o método é baseado em um ritual do tantra (ramo da filosofia hindu), Nos anos 1960, o mestre de ioga Swami Satyananda Saraswati simplificou e sistematizou es­ses rituais em uma técnica que pode ser praticada por qual­quer pessoa.

Enquanto em uma aula nor­mal o relaxamento dura 15 mi­nutos, na ioga nidra só os dez minutos iniciais são dedicados a alguns exercícios - mesmo assim, suaves e simples.

Após esse preâmbulo, o alu­no passa o resto da aula deitado de costas no chão. "O importante é ficar confortável e per­manecer imóvel", diz Allegro.

Nessa posição, o aluno come­ça a interiorizar a atenção. A fa­se seguinte é a mentalização de uma intenção - que caracterís­tica cada aluno quer trabalhar durante a aula. Chamada em sânscrito de "sankalpa", essa resolução interior é definida em uma frase, por exemplo, "consigo manter a calma". Se­ gundo Allegro, as frases são sempre afirmativas e curtas. "Podemos chamar de "slogan do iogue"", brinca. Normal­mente, sugere-se aos iniciantes usar um "sankalpa" básico: "Sou totalmente saudável".

A frase é repetida mentalmente e, em seguida, começa a parte mais característica da io­ga nidra, a rotação sistemática da consciência pelas partes do corpo. Como nas técnicas de rrelaxamento induzido, o ins­trutor vai orientando o aluno a pensar em cada parte do corpo.

A diferença é que a atenção se foca rapidamente em cada par­te, e o instrutor vai indicando áreas muito específicas, como o dedão da mão.

Depois, a atenção é dirigida respiração. Não são feitos os exercícios típicos de respiração da ioga, os "pranayamas", mas o aluno se concentra nas partes do corpo por onde o ar passa. Antes do fim, alguns momen­tos são dedicados à visualiza­ção de imagens - em geral, as típicas imagens relaxantes, co­mo um lago de águas calmas.

O aluno então é trazido aos poucos de volta ao "mundo exterior". Começa a prestar atenção nos sons à sua volta, no co­rpo no chão e a fazer pequenos movimentos, antes de se levar­tar lentamente. E profunda­mente relaxado.

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