Ritalina pode reforçar sinapses


Revista Mente & Cérebro

No mundo milhões de crianças ingerem metilfenidato. Embora cada vez mais profissionais da saúde se preocupem por não saber quais podem ser os efeitos cerebrais da droga a médio e longo prazo, seus defensores alegam que o medicamento — mais conhecido pelo nome comercial Ritalina — pode melhorar o aprendizado e a capacidade de concentração de alunos hiperativos. O fato é que, até recentemente, os pesquisadores não sabiam a forma como a substância anfetamínica agia no cérebro. Agora, a neurocientista Kay Tye, pesquisadora da Universidade da Califórnia em São Francisco e sua equipe identificaram quais receptores nas células neurais que sofrem influência do medicamento age — e como isso afetam o comportamento.

Para obter essas informações, os cientistas implantaram de forma indolor uma agulha fina no cérebro de ratos machos, logo acima da seção lateral da amígdala — uma estrutura fundamental para o processamento de reações emocionais, aprendizado e memória. Depois treinaram os roedores para que, ao som de um alarme, mergulhassem o focinho em um recipiente com uma solução de açúcar. Os roedores foram divididos em dois grupos. O primeiro recebeu metilfenidato através da cânula, enquanto o segundo, apenas uma solução salina ineficaz.

Aqueles que consumiram Ritalina aprenderam mais rápido que os outros e também sorveram maior quantidade da solução de açúcar. Em seguida, os pesquisadores examinaram o cérebro dos animais e mediram o nível de atividade das sinapses responsáveis pela transmissão de sinal entre a amígdala e o córtex cerebral. Mesmo com uma única sessão de aprendizado sob o efeito do metilfenidato foi possivel constatar que as sinapses foram mais facilmente estabelecidas.

Além disso, durante o período de aprendizado Kay Tye e sua equipe ministraram em alguns ratos medicamentos que bloqueiam certos receptores na amígdala. Assim, descobriram que aparentemente a Ritalina não só aumenta a atividade de dois receptores de dopamina, como também traz outros benefícios. “O receptor D1 parece ser o responsável por garantir a associação que o animal faz entre certos estímulos e recompensas; já o D2, ao contrário, suprime esse tipo de comportamento, que nada tem a ver com a atividade e faz com que os roedores vaguem sem rumo pela gaiola”, afirma a pesquisadora. Com base nos resultados, os cientistas esperam desenvolver medicamentos para o tratamento do transtorno de atenção e hiperatividade (TDAH) que apresentem menos efeitos colaterais. Mas, antes que isso aconteça, é necessário entender melhor como o metilfenidato age sobre o processamento de informações no cérebro.

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