Telômeros e Envelhecimento


Pesquisadores logo oferecerão um exame simples capaz de dizer aos pacientes com que rapidez eles estão envelhecendo.

Revista Scientific American - por thea Singer

Com frequência médicos insistem com seus pa­cientes para que deixem de fumar e façam exercí­cios regulares. Mas e se houvesse um exame de sangue que mostrasse aos fumantes e aos seden­tários os danos que seu estilo de vida está causan­do de fato aos seus cromossomos?

Dois grupos de respeitados pesquisadores fundaram empre­sas para fornecer esse tipo de exame, capaz de medir o compri­mento dos telômeros - uma espécie de cobertura nas extremida­des dos cromossomos, que os protege, exatamente como as pon­tinhas de plástico nas extremidades dos cordões de sapatos im­pedem que eles se esfiapern.

Sempre que os cromossomos - os "armazéns" dos nossos genes - são replicados em preparação para a divisão celular, seus telôme­ros encurtam. Esse fato levou muitos cientistas a considerar o com­primento dos telômeros como sinal de envelhecimento biológico, um "relógio molecular" que com seu tique-taque mostra a duração da vida da célula e funciona como indicador de saúde geral. Estudos comparativos sobre o comprimento dos telômeros das células bran­cas do sangue entre grupos de voluntários mostram correlações di­ferentes entre comprimento dos telômeros e estilo. Quem faz exer­cício tem telômeros mais longos que quem não faz. Pessoas que se
veem como as mais estressadas têm telômeros mais curtos que as que se veem como mais tranquilas. Da mesma maneira, certas doenças têm correlação com telômeros mais curtos, como as car­diovasculares, obesidade e a doença de Alzheimer.

"Saber se nossos telômeros têm comprimento normal para dada idade cronológica nos dará uma indicação do nosso estado de saúde e da nossa "idade" psicológica antes mesmo de as doenças aparecerem", garante Maria A. Blasco, que chefia o Grupo de Telômeros e Telomerase no Centro de Pesquisa Nacional do Câncer na Espanha; ela é cofundadora (em setembro passado) da empresa Life Length (Duração da Vida). Calvln B. Harley, pionei­ro das pesquisas sobre telômeros e cofundador, no primeiro semes­tre de 2010, da Telome Health com a ganhadora do Nobel Eliza­beth H. Blackburn, considera o comprimento dos telômeros "pro­vavelmente a melhor medida individual da nossa genética integra­da, dos nossos estilos de vida anteriores e interações ambientais".

As empresas já estão oferecendo exames de medição dos telô­meros a centros de pesquisa e às companhias que estudam o papel dessas estruturas nos processos de envelhecimento e enfenrnidade; o público em geral deverá ter acesso a esses exames ainda este ano, por meio de médicos, laboratórios, e até diretamente.

Embora haja entusiasmo pelos serviços de pesquisa, peritos em telômeros questionam o valor dos exames. "Ainda não defini­mos o que consideramos normal e anormal, seja longo ou curto", argumenta Nilesh J. Samani, chefe dos serviços cardiovasculares na Leicester University na Inglaterra. Mas o comprimento dos te­lômeros não é diagnóstico nem prognóstico, assegura Harley. Os dados, insiste ele, são suficientes apenas para ajudar as pessoas a "tomar decisões sobre seu estilo de vida pessoal" em relação a dieta, exercício e estresse.

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