Tempo demais sentado eleva risco cardíaco


Pesquisa mostra que se levantar por períodos curtos várias vezes ao dia já é suficiente para reduzir o perigo. Dar descanso para a cadeira resulta em cintura mais fina; medida é indicador de doença cardíaca.

Jornal Folha de São Paulo - por Juliana Vines

Levantar mais vezes, mes­mo que seja para beber água ou mudar o canal da televi­são, diminui o risco de de­senvolver doenças cardíacas.

A conclusão é de pesquisa­dores da Universidade de Queensland, Austrália, em estudo publicado hoje na versão on-line da revista "Eu­ropean Heart Journal".

Segundo a pesquisa, até quem é sedentário, mas faz várias pausas para levantar durante o dia, tem menor ris­co do que quem faz ativida­des físicas e fica longos períodos sentado. A pesquisa acompanhou 4.757 pessoas com mais de 20 anos entre 2003 e 2006. Cada voluntário recebeu um apa­relho que monitorou a ativi­dade física durante sete dias.

Também foram medidos os níveis de quatro marcado­res de risco de doença cardio­vascular: a quantidade de uma proteína que sinaliza a formação de aterosclerose, os níveis de HDL (colesterol "bom"), triglicérides e a cir­cunferência abdominal. Quem se movimentou mais teve todos os índices melhores. A diferença mais significa­tiva foi na circunferência ab­dominal: os participantes que ficaram menos tempo sentados sem pausas tive­ram, em média, 4,1 centíme­tros a menos de cintura do que as pessoas que ficaram paradas na mesma posição.

"Já se sabe que a atividade física moderada ou intensa reduz o risco cardiovascular. O surpreendente é que o es­tudo mostra que mesmo as pequenas quebras no seden­tarismo já ajudam", diz Raf­fael Fraga, cardiologista do Incor (Instituto do Coração). Segundo Fraga, uma das explicações é que mesmo as atividades físicas mais leves aumentam o gasto energéti­co total diário e, consequen­temente, ajudam a diminuir a circunferência abdominal.

A gordura intra-abdomi­nal está relacionada à proba­bilidade maior de desenvol­ver aterosclerose e também ao aumento do colesterol.  "Qualquer redução na gor­dura abdominal já represen­ta uma queda de risco. Qua­tro centímetros é uma diferença muito grande", diz o cardiologista Ricardo Pava­ello, do HCor (Hospital do Coração). O recomendado, segundo Federação Internacional de Diabetes, é que mulheres te­nham no máximo 80 cm de cintura e homens, 94 cm.

• Doses homeopáticas

Para o cardiologista Anto­nio Sergio Tebexreni, da Uni­esp, a pesquisa mostra que qualquer atividade física é importante. "É possível dividir os 30 minutos de exercícios em etapas. Se você se movimen­tar várias vezes durante o tra­balho, já é válido."

Além de aumentar o gasto energético total, sair da ca­deira e movimentar os mús­culos das pernas ativa a cir­culação sanguínea.  "Isso melhora a pressão arterial e ajuda no gasto caló­rico. Facilita o trabalho do coração, além de prevenir a formação de coágulos."

O cardiologista Nabil Gho­rayeb, do HCor, discorda do estudo. Segundo ele, a ativi­dade fisica só traz benefícios quando é realizada a longo prazo e frequentemente. "Levantar poucas vezes não muda a vida de nin­guém", diz o médico. Para ele, qualquer mudança de hábito para o sedentário faz diferença nas estatísticas, mas isso não quer dizer que o risco cardíaco vá ficar menor.

• Chá de cadeira

Como ficar sentado pode prejudicar o sistema cardiovascular.

1 - Os músculos da perna, principalmente a panturrilha, ajudam no bombeamento do sangue.
2 - A falta de movi­mentação desses músculos deixa a circulação mais lenta.
3 - Com o fluxo sanguíneo mais lento, há a maior chance de serem formados pequenos coágulos de sangue, que podem atrapa­lhar ainda mais a circulação.
4 - Depois que o coágulo é formado, ele pode se desprender e ser levado pelo sangue até o pulmão.
5 - Lá ele pode obstruir artérias e até causar a morte.

© Copyright 2020 - Todos os direitos reservados à Methodus