Tempo pode “curar” transtorno do déficit de atenção


Revista Scientific American

Há 50 anos, acreditava­ se que o transtorno de déficit de atenção e hi­peratividade (TDAH) existia apenas na infância. Já entre 1970 e 1980 especialistas passaram a considerar que o distúrbio persiste a vida toda. Agora pesquisadores defendem a existência de um ponto intermediário. Para chegar a essa hipótese, um grupo coordenado pelas psicólogas Prudence Fisher, da Universidade Columbia, e J. Blake Turner, do Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova York, revisou os registros de aproximada­mente 1.500 crianças que haviam sido diagnosticadas com TDAH dois anos antes. Em seguida, comparou os dados com diagnósticos mais recentes e descobriu que mais de 50% das crian­ças obtiveram melhora nos casos isolados de hiperati­vidade ou falta de atenção. Já nas que apresentavam os dois sintomas simulta­neamente, a melhora foi de 18% a 35%. Não foram observadas diferenças entre casos extremos e leves. Para as pesquisadoras, as descobertas sugerem que a atual definição do TDAH deveria ser mais específica: "Se a duração do transtorno não for considerada, podemos estar diagnosticando além do necessário". Isso pode fazer com que crian­ças cujo comportamento irritante para muitos adultos - que provavelmente pas­sará com o tempo - sejam rotuladas e medicadas des­necessariamente.

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