Trabalhe como os gênios


Os artistas têm hábitos que ajudam a produzir obras extraordinárias.

Revista Época Negócios - por Márcio Ferrari

Nem só de excentricidades vivem os gênios. Eles também se preocupam com uma questão que atormenta a maioria de nós, mortais: a organização de uma rotina diária que sirva a nossos objetivos e conveniências, mesmo com tudo o que há de imprevisível na vida.

No recente livro Daily Rituais: How Artists Work ("Rituais diários: como artistas trabalham"), o escritor americano Mason Currey examina as rotinas de 161 pintores, escritores, compositores, filósofos e cientistas. Observa que "uma rotina sólida fornece um canal para as energias mentais e ajuda a afastar a tirania dos humores". Ou, como disse o escritor Franz Kafka: "A vida é curta, minhas forças têm limites, o escritório é um horror, o apartamento é barulhento e, se uma vida agradável e produtiva não é possível, temos de tentar nos virar com manobras sutis".

Descartando aqueles grandes nomes cujas rotinas não são exatamente exemplares - como beber durante o dia, e todo dia -, Sarah Green, editora da Harvard Business Review, fez um levantamento informal de sete pontos em comum entre vários dos gênios analisados no livro. São eles:

Evite interferências

Por não ter como trancar a porta de seu escritório, o escritor William Faulkner desatarrachou a maçaneta para que ninguém entrasse. Outro escritor, Graham Greene, alugava um lugar secreto para trabalhar. Só sua mulher sabia o endereço e o telefone.

Caminhada diária

O filósofo Soren Kierkegaard recebia tanta inspiração nesse hábito que, na volta, escrevia correndo, sem tirar o chapéu. Os compositores Ludwig van Beethoven e Erik Satie saíam para passear com lápis e papel, para anotar ideias.

Adote métricas

O escritor Anthony Trollope trabalhava apenas três horas por dia, contanto que produzisse 250 palavras por minuto. E Ernest Hemingway mantinha uma tabela de produtividade, para não ludibriar a si mesmo.

Divida o tempo entre tarefas criativas e mundanas

Mesmo antes da invenção da internet e do e-mail, era comum que os gênios dividissem o dia, como pela manhã criar, à tarde responder cartas. O poeta T. S. Eliot se achava mais produtivo trabalhando como bancário, e criando nas horas vagas, do que tendo o dia inteiro para escrever.

Parar no auge, não na exaustão

Disse o psiquiatra Carl Jung: "Concluí que uma pessoa que precisa de descanso e continua a trabalhar é um tolo".

Tenha ajuda

A mulher do compositor Gustav Mahler subornava os vizinhos com convites para a ópera se fizessem seus cães pararem de latir.

Limite a vida social

O escritor MareeI Proust parou com tudo, em 1910, para apenas escrever.

Moral da história: sem estabelecer prioridades e encontrar um jeito de se concentrar, as distrações serão sempre nefastas.

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