Ver TV pode ter relação com atraso na cognição


Jornal Folha de São Paulo

Um novo estudo, realizado nos Estados Unidos, pode ajudar a explicar a associação entre exposição a programas de televisão na infância e o atraso no desenvolvimento da linguagem e na cognição.

Desenvolvida pelo professor de pediatria da faculdade de medicina da Universidade de Washington Dimitri A. Christakis, a pesquisa acompanhou 329 crianças de dois meses a quatro anos de idade e concluiu que tanto elas quanto os adultos responsáveis por elas conversaram menos e usaram menos palavras enquanto a televisão permaneceu ligada.

O pesquisador acredita que esses resultados possam explicar os atrasos na atenção e na cognição das crianças, já que se sabe que o desenvolvimento da linguagem é um componente crítico do desenvolvimento cerebral no início da infância.

As crianças usaram gravadores do tamanho de um cartão de visitas que captaram tudo o que elas disseram e ouviram em períodos contínuos de 12 a 16 horas em alguns dias do mês, ao longo de mais de dois anos.

Um software foi usado para processar as gravações e analisar os sons a que as crianças foram expostas no ambiente doméstico.

Cada hora na presença de uma TV audível foi associada a reduções significativas na vocalização das crianças, na duração das falas e nos períodos de conversa.

Em média, cada hora de televisão foi associada também a um decréscimo de 770 palavras que as crianças ouviram de um adulto, um declínio de 7%. O estudo descobriu que os adultos praticamente eliminaram suas falas nas ocasiões em que as crianças podiam ouvir a TV.

As gravações não distinguiram entre sons de televisão em primeiro plano ou ao fundo, e nenhuma avaliação foi feita sobre se as crianças ou os adultos estavam assistindo ativamente à televisão ou se seus sons estavam somente audíveis no ambiente.

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