Vida longa aos conscientes e aos conectados


Em seu livro " O projeto da longevidade", dois pesquisadores identificam a consciência como principal elemento para uma vida longa.

Jornal folha de São Paulo - por Katherine Bouton

O segredo de uma longa vida tem sido muito estudado. O eco­nomista da saúde James Smith descobriu que a resposta era a educação. Fique na escola. Isso, sem dúvida, é verdade. Mas su­as conclusões não se chocam neces­sariamente com um estudo condu­zido por Howard S. Friedman e Leslie R. Martin e detalhado em seu livro "The Longevity Project" (o projeto longevidade). Seu trabalho foi único na medida em que acompanhou um mesmo conjunto de participantes du­rante oito décadas, da infância até a morte.

Sua chave para a longa vida: a consciência - que é, afinal, o que mantém as pessoas na escola. Muitos supõem que a biologia seja o fator crítico para a longevi­dade. Caso seus pais tenham vivido até os 85 anos, você, prova­velmente, também viverá. Não é assim, diz o doutor Friedman. "Os genes constituem cerca de um terço dos fatores que levam à longa vida", ele disse. "Os outros dois terços têm a ver com estilos de vida e sorte."

Como um exemplo de sorte, ele citou os veteranos da Segunda Guerra Mundial. "Um número muito maior dos que foram para o exterior, especialmente para o Pacífico, morreu depois da guer­ra do que os que foram mobili­zados nos Estados Unidos", ele disse. Os homens enviados para o exterior tinham uma probabi­lidade 1,5 vez maior de morrer, comparados com seus colegas que ficaram no país.

Existem três explicações para o papel predominante da consci­ência. A primeira e mais óbvia é que as pessoas conscientes têm maior probabilidade de viver de modo saudável, não fumar ou beber em excesso, usar cinto de segurança, seguir as ordens dos médicos e tomar remédios quan­do prescritos. Em segundo lugar, as pessoas conscientes tendem a se encontrar não apenas em situações mais saudáveis como também em relacionamentos mais saudáveis: casamentos mais felizes, melhores amiza­des, condições de trabalho mais saudáveis.

A terceira explicação para a re­lação entre consciência e longevi­dade é amais intrigante. Ele e ou­tros pesquisadores descobriram que algumas pessoas são biologi­camente predispostas não apenas a ser mais conscientes, mas também mais saudáveis. "Não apenas os indivíduos conscientes tendem a evitar mortes violentas e doenças ligadas ao fumo e à bebida, como têm menos tendên­cia a uma série de doenças, não apenas as causasas por hábitos perigosos", eles escrevem.

A explicação fisiológica preci­sa é desconhecida, mas parece ter a ver com níveis de substân­cias como serotonina no cére­bro. Quanto ao otimismo, tem seu lado negativo. "Se você é alegre, muito otimista, especial­mente diante das doenças e da recuperação, se não considera a possibilidade de sofrer reveses, então esses reveses serão mais difíceis de enfrentar", disse a doutora Martin. "Se você é dessas pessoas que pensam que tudo está bem - "não é preciso fazer backup dos arquivos do computador" -, o estesse do fracasso porque não foi cuidadoso é prejudicial. Você quase se predispõe a mais problemas."

E os exercícios? A doutora Martin fez a "Maratona das Areias", uma corrida de seis dias pelo deserto do Marrocos. Mas o exercício extremo não é um indicador previsível de longevi­dade (embora a organização e a persistência necessárias para chegar lá provavelmente sejam). Em vez disso, passe seu tempo trabalhando em um emprego de que você gosta. "Existe hoje um erro de concepção sobre o estresse", disse o doutor Frie­dman. "As pessoas acham que todo mundo deveria levar a vida calma." Mas, ele disse, "um trabalho duro que também é es­tressante pode estar associado à longevídade. Os desafios, mes­mo que estressantes, também são um elo". Afinal, ele disse, "as pessoas que se envolveram, tra­balharam duro, tiveram suces­so, foram responsáveis - não im­porta em que campo - tiveram maior probabilidade de viver mais". Muitas pessoas, é claro, têm de ficar em um emprego de que não gostam ou não fazem bem. Esse é um estresse ruim, e eles descobriram que essas pessoas tinham mais probabilidade de morrer jovens.

O casamento, somando a fe­licidade do marido e da mulher, era um bom previsor de futura saúde e longevidade. Mas, de maneira mais interessante, a felicidade do homem era um melhor previsor de saúde e bem­ estar -para o casal. A felicidade dela importava menos para seu futuro bem-estar. E o mais forte indício social de longa vida? Uma forte rede social. As mulheres tendem a ser mais fortes nisso.

© Copyright 2020 - Todos os direitos reservados à Methodus