Volta após curso no exterior não dá aumento


Pedido de demissão para estudar em outro país requer mapeamento pessoal e de mercado.

Jornal Folha de São Paulo

Para conseguir uma pro­moção na empresa, primeiro vem o pedido de demissão, seguido de matrícula em um curso no exterior. O retorno ao Brasil, no entanto, pode não vir com o salto na carrei­ra, explicam especialistas consultados pela Folha. Por isso, antes de pedir as contas, é importante questio­nar-se, sugere Matilde Berna, diretora de transição de car­reira da Right Management. "O mercado demanda essa especialização? Trabalharei diretamente com esse idio­ma? A empresa tem necessidade de um funcionário mais escolarizado? A companhia tem condições de oferecer uma licença não remunerada durante o período?" são al­gumas das avaliações que o trabalhador deve fazer antes de embarcar, indica Berna. Se as respostas "forem ne­gativas, orienta a executiva, "essa melhoria do currículo provavelmente não vai resul­tar em promoção imediata, mas esse profissional terá melhores condições de pro­gredir ao longo da carreira".

Avaliar a qualificação dos colegas também é uma ne­cessidade, indica Rubenval­ do Costa, diretor da consulto. ria DBMno Rio de Janeiro. "Muitas vezes, o profissio­nal procura um MBA ou um curso de inglês porque a maior parte dos colegas já os tem. Nesse caso, o curso visa à sustentação do posto, não é um diferencial", explica.

• Desejo 

A temporada de um ano e meio na Austrália para estu­dar inglês não rendeu à jor­nalista Camila Cintra aumento de salário ou de posto na rádio em que atua na Bahia. Voltou para o mesmo car­go, mas com um certificado de proficiência em inglês que lhe permitiu participar da co­bertura da rádio na Copa do Mundo no ano passado, feita diretamente da África do Sul. "Hoje nenhum curso é ga­rantia de emprego. O estudo é uma ferramenta que pode ajudar o profissional a subir os degraus desejados se ele souber usá-lo corretamente", considera o diretor da empre­sa de recrutamento Hays Rodrigo Soares.

Matilde Berna, da Right Management, completa: "A maior experiência não está no banco da escola, mas no dia a dia do trabalho, na ha­bilidade, no desempenho e no comprometimento, que contam mais do que um cur­so ou idioma adicional".

• Acordo fechado

Como negociar com a empresa quando o retorno é para...

- Cargo mais alto

Vale negociar salário maior, mais benefícios e melhores condições de trabalho, já que o convite é prova de que o trabalho foi testado e aprovado.

É preciso ter cuidado para não fazer pedidos demais.

- Mesmo cargo

Se o profissional pediu para voltar, é preciso mostrar o quanto aprendeu quando esteve fora da empresa e o quanto pode agregar.

A negociação pode envolver mellioria de salário e de condições de trabalho.

- Cargo mais baixo

O profissional deve usar o aprendizado fora da empresa para fazer uma avaliação precisa do seu valor no mercado e de como galgar posições em sua área de atuação.

Mesmo tendo aceitado um salário mais baixo, é necessário ter traçado um plano de carreira, com perspectiva de promoção ou de migração de área na companhia.

Não assumir atitude de "agradecido" durante a conversa -se a empresa cogita a recontratação, não é por favor, mas pelo trabalho bem-feito.

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